OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

TRÂNSITO EM MÃO ÚNICA

            Wellington Medeiros*

 

Mesmo que nenhum outro registro fosse feito, a passagem hoje dos 10 anos da vigência do novo Código de Trânsito Brasileiro pode servir de data referência para um projeto de lei que acaba de ser apresentado à mesa da Câmara Municipal de Natal e que irá se constituir em amparo legal para disciplinar a circulação de carroças pelas ruas da capital. A proposição de autoria do vereador Edivan Martins (PV) surge no momento em que o trânsito - e os efeitos do novo Código – são discutidos em todos os momentos, desde as exigências para a renovação da Carteira Nacional de Habilitação até a indústria da multa que avança numa velocidade só comparada à da Fórmula-1.

Em vigor desde 21 de janeiro de 1998, o Código com seus 341 artigos apresenta um conjunto de medidas preventivas que vão desde o uso do cinto de segurança – hoje, todos usam – à obediência às faixas de pedestres, com as quais os motoristas também se acostumaram, enquanto insere outras difíceis de fiscalizar e punir como o uso do telefone celular, não jogar água em pedestres ao passar por poças d´água e proibição de reparos em carros que estejam em via pública, a não ser que o veículo não possa sair do lugar. E estimula a indústria da multa – somente em Natal em 2007 foram mais de 63 mil, a maioria através de lombadas eletrônicas, fotossensores e pardais de resultados duvidosos e muitas vezes questionados judicialmente.

Agora mesmo está aberta uma discussão depois que o médico Lídio Toledo Filho e a mulher foram baleados ao serem abordados por dois motoqueiros no Rio de Janeiro num desses equipamentos que transformam os motoristas em presas fáceis dos marginais, especialmente em ruas de pouco movimento à noite. Nesses casos, a ultrapassagem do limite seja por qual velocidade for, fica registrado e a multa lavrada. Mas, deixa a pergunta no ar: No caso da obediência rigorosa e o motorista for vítima de assalto, seqüestro, coisa parecida, a Prefeitura ou a empresa prestadora do serviço também faz o ressarcimento, ou seja, paga a multa correspondente ao prejuízo pelo dano sofrido? Recursos para tanto existem, pois ano passado apenas de multas o município arrecadou mais de R$ 6,5 milhões.

Em meio a esse debate é que começa a tramitar na Câmara o projeto de lei do vereador Edivan Martins que obriga o cadastramento e o licenciamento - gratuitos - dos veículos de tração animal e seus condutores pela STTU – a Secretaria de Transporte e Trânsito Urbano. Enquanto a inspeção sanitária do animal, a inspeção técnica do veículo, emplacamento, dispositivos retroreflexivos e as licenças serão gratuitos, o condutor estará passível de multa em casos de maus tratos ao animal. Esses maus tratos é o que há tempo preocupa o Conselho Regional de Medicina Veterinária que pretende interferir na questão. Compreende desde a alimentação adequada, descanso até a imposição de esforço acima do suportado.

É possível que o Vereador tenha citado na Justificativa do Projeto de Lei o Art. 72 do Código de Trânsito – “Todo cidadão ou entidade civil tem o direito de solicitar, por escrito, aos órgãos ou entidades do Sistema Nacional de Trânsito, sinalização, fiscalização e implantação de equipamentos de segurança, bem como sugerir alterações em normas, legislação e outros assuntos pertinentes a este Código”. E o artigo seguinte estabelece que os órgãos ou entidades têm o dever de analisar as solicitações e responder, por escrito, dentro dos prazos mínimos, sobre a possibilidade ou não do atendimento.

Assim, como cidadão - por escrito - e traduzindo o desejo de grande parte dos motoristas, relaciono algumas das reivindicações que podem muito bem contribuir para aliviar o estresse no trânsito de Natal, onde somente existe uma via, a da cobrança dos deveres e obrigações dos motoristas. São a proibição do assédio aos veículos nos semáforos, especialmente por rapazes, moças e até crianças portando os indefectíveis rodinhos e agora até com piruetas circenses; Poda de árvores que em muitos pontos dificultam a visão (na Romualdo Galvão, por exemplo); Redução dos buracos e armadilhas – aí incluindo as eletrônicas - que se espalham por todas as ruas e avenidas; Que os agentes de trânsito – os amarelinhos – ao invés de se esconderem por trás de árvores e postes, pratiquem a orientação aos motoristas. Já seria um bom sinal, pois o trânsito sempre flui melhor em via de mão dupla.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 21.01.2008

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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