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O carnaval natalense começa,
oficialmente, daqui a 72 horas. Depois das prévias,
nesta quinta-feira, 31, à noite, o prefeito Carlos
Eduardo entrega a chave simbólica da cidade ao Rei Momo
Francisco das Chagas e à Rainha do Carnaval, Gilmara
Silva. Da sexta-feira à noite, começando pela Redinha e
até a terça-feira, um cenário diferente
em
Natal. Sai da mídia a discussão chata e
tensa sobre a sucessão municipal, a disputa até saudável
entre ABC x América, as reivindicações salariais, os
escândalos e, teoricamente, as preocupações rotineiras
com a pobreza, a miséria e a fome para se tentar dar
lugar à maior festa popular do Brasil e do mundo. Onde
aparentemente não há distinção de classes.
O advérbio aparentemente depois dos
transitivos deverá e tentar, está inserido de forma
proposital no texto acima, diante do quadro de violência
e insegurança que foi desenhado nesses últimos dias,
agora irritando não somente a população necessitada como
as próprias autoridades envolvidas. Isso se pôde
perceber na violação de um ambiente em plena
investigação policial na semana passada. Ou de uma
seqüência de mortes misteriosas que fazem lembrar os
crimes de João Baracho, nos anos 60 contra taxistas e do
“Mão Branca” na década seguinte. A ousadia dos marginais
em Natal passou de todos os limites, enquanto das
autoridades espera-se uma resposta firme, o que poderá –
lá vem o condicional – ser dada com uma ação coordenada
que garanta um carnaval tranqüilo e de paz em Natal e no
interior.
Ao fazer um checklist sobre o
carnaval deu para perceber a intenção da Prefeitura em
resgatar a folia em Natal que nos últimos anos assistiu
a interiorização da festa, especialmente a fuga para as
praias, o que ainda ocorre, mas sem a avidez anterior.
Ou a superlotação no aeroporto e rodoviária, o que não
vai deixar de ocorrer. É que o carnaval natalense chegou
a zero, até porque durante algum tempo achava-se que o
Carnatal - o fora de época, sempre no final do ano - já
bastaria como festa de carnaval para Natal. Aos poucos,
as escolas de samba, tribos de índios e agora um chamado
Carnaval Multicultural, mostra que é possível
revalorizar a folia em Natal, apesar da ausência dos
grandes pólos que eram os clubes tradicionais.
Na programação multicultural -
blocos, bandas, troças, orquestras, cantores e até
sanfoneiros – a presença desde Roberto do Acordeon a
Lucinha Lira, do músico Carlos Zens à banda Belina
Mamão, numa variedade de ritmos e estilos que deverão
chamar atenção no Centro Histórico – Beco da Lama e
adjacências – Ponta Negra, com o seu “Corredor de
Dosinho” e Redinha, com 208 eventos, reforçados por
artistas ao nível da sambista Alcione, do baiano Moraes
Moreira e do bloco de frevo pernambucano Vassourinhas.
Para o desfile do sábado até a segunda à noite, na
Ribeira, outra surpresa. O número de escolas de samba –
11 - e nove tribos de índios. As escolas: Águia Dourada,
Grande Rio do Norte, Unidos do Gramoré, Unidos de Areia
Branca, Imperatriz Alecrinense, Malandros do Samba,
Berimbau no Samba, Em cima da hora, Império do Vale,
Acadêmicos do Morro e Balanço do Morro, esta a campeã de
2007. Pelos índios: Mobralino Mapabú, Potiguares,
Gaviões Amarelos, Tabajaras, Tupinambás, Tupi Guarani,
Comanche, Tapuias e Guaracir. Ainda bem que chamam a
nossa tribo de potiguares. Imaginem mobralino ou
comanche...
Como no carnaval alguns potiguares
buscam tribos mais distantes e vice-versa, a preocupação
com as viagens aéreas ou terrestres. Nos aeroportos, a
Agência Nacional de Aviação Civil já monta operação
especial para evitar a repetição do caos aéreo. E começa
a ser cumprida a Medida Provisória que proíbe a venda de
bebidas alcoólicas nas margens das rodovias federais.
São cuidados que têm razão de ser. O caos aéreo causa
prejuízos de toda ordem, especialmente para o turismo. A
bebedeira desenfreada tem sido um dos fatores principais
de acidentes nas rodovias não só federais. Até mesmo a
distribuição de camisinhas consta das medidas para
tentar diminuir o número de foliões no bloco dos
arrependidos.
Em tempo: antes da abertura oficial
do carnaval nesta quinta-feira será realizado o “Loucafolia”.
Isso mesmo. É o carnaval dos pacientes do Hospital João
Machado, no mesmo dia, às 15h30min, este ano com o tema
“Uma boa dose de saúde mental para
2008”.
Durante o evento serão distribuídos picolés, água e
refrigerantes. Se não melhoram, pelo menos não
contribuem para piorar o juízo. Coisa que aqui fora
muitos começam a fazer força para perder. De pouco
adiantando o alerta da famosa marcha “Doido também
apanha”, de Dosinho – o patrimônio vivo do carnaval
natalense.
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