OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

JUSTIÇA E CIDADANIA

            Wellington Medeiros*

 

É comum se dizer que o ano começa pra valer depois do carnaval. Se na passagem de ano, uns prometem parar de beber, abandonar o cigarro e até fazer o adiado regime para os que sentem algum sintoma estranho rondando o organismo, é depois de Momo que os projetos e expectativas se desenham sem a desculpa de que as coisas estão paradas por conta de datas, eventos e comemorações. Alegar a semana santa já pode ser inserido no desejo protelatório para justificar a manjada frase “deixa como está para ver como fica”.

Ano eleitoral, começa a ser acelerado o processo das candidaturas para o pleito municipal - escolha de prefeitos e vereadores – do dia 5 de outubro. Com um olho nesta eleição e o outro em 2010, as principais lideranças começam a ser alvo de cobranças para definições tanto de correligionários como de aliados. Todos estão conscientes de que um treino bem feito daqui a oito meses poderá se transformar numa boa preliminar para deixar os times bem afiados para o jogo principal já marcado para dois anos depois. Percebe-se que os jogos simultâneos - serão 167 no mesmo dia – fazem com que os treinadores adiem o quanto podem a escalação.

Se na política as decisões são adiadas por conveniências - é onde o tempo muitas vezes se transforma no melhor aliado – na Justiça brasileira é um fator que há muito gera incômodo. A lentidão que ocorre na tramitação dos processos faz com que, mesmo com o ano civil ainda no começo, as pessoas não consigam ter a certeza de que até o seu final as causas mesmo em tramitação há algum tempo estejam julgadas. É nessa linha de preocupação em que se colocam neste início de ano a pequena Comarca do município de Ipanguaçu – distante 211 km de Natal – e os gabinetes dos ministros das mais altas cortes de Justiça do país, em Brasília-DF.

O site do Tribunal de Justiça do Estado confirma a abertura oficial hoje, dia 11 de fevereiro, às 16 horas, no Fórum da Comarca de Ipanguaçu, do Projeto “Justiça em favor da Cidadania”, cujo objetivo é aproximar a população dos serviços judiciários e incentivar a conciliação como meio mais breve para solucionar conflitos. Visa também atender a cobrança da comunidade por ações voltadas à defesa de crianças e adolescentes das diversas situações de risco, contribuir para a ressocialização de presos e até mesmo a melhoria da arborização da cidade. Ainda em nível estadual, a informação de que o Programa Pauta Zero se expande à 1ª Instância e na Vara Criminal de Macaíba e na 1ª Vara de Precatórios de Natal as pautas de julgamento estão zeradas.

Já no site do Superior Tribunal de Justiça o ministro Gomes de Barros festeja a apreciação em 2007 de 17 mil processos somente no gabinete dele e está criando rotinas para julgar 1.600 feitos por mês. O Ministro se diz inspirado em Rui Barbosa: “É melhor julgar prontamente o caso, correndo o risco de se enganar, do que acumular processos que poderão nunca ser decididos”. E acrescenta “quem morreu sem receber o bem da vida que perseguiu em juízo é, de fato, o perdedor”. Garante que evita redigir votos longos, repletos de citações, que acabam contribuindo para o acúmulo de processos. “Alegro-me de fazer votos sucintos, claros e simples”, ensina o ministro Gomes de Barros e acrescenta: “Não dá para levar o trabalho como se fosse um fardo, porque estamos mexendo com a vida das pessoas”.

É um alento para a cidadania, onde ainda paira a descrença na Justiça, especialmente devido à lentidão, na maioria das vezes graças a recursos permitidos pela legislação. Somente no ano passado chegaram ao Supremo Tribunal Federal 119.957 processos, dos quais 94% agravos de instrumento, isto é, oriundos de tribunais inferiores para serem revistos. Isso fez com que o ministro Marco Aurélio Mello afirmasse que “Hoje não somos julgadores, somos estivadores”, compara. Diz que às vezes quer fazer uma reflexão, mas não pode deixar processo na prateleira para amadurecer a idéia. É vapt-vupt.

No Supremo – cuja função principal é julgar os casos em que há violação da Constituição – tramitam processos como o de um homem acusado de crime ambiental pela morte de um tatu, outro é condenado por lesão corporal por dar uma canelada na sogra e um comerciante que agrediu uma senhora com uma vassoura, o furto de um boné ou uma dívida de R$ 0,01. Casos que poderiam ser facilmente resolvidos na delegacia de polícia mais próxima, vão para na maior corte de Justiça do país. Ou ainda este que pode estar no “Acredite se quiser”: O humorista Tom Cavalcanti luta para que o STJ diga se ele ou pode ou não imitar Sílvio Santos. Pode?.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 11.02.2008

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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