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“O nosso conceito clássico de
velhice envelheceu”.. Ao iniciar este artigo com uma
frase, faço logo a ressalva que não é usual embora seja
mais freqüente
em reportagens. Apesar de a estrutura
em ambos seguir o mesmo ciclo da vida – começo, meio e
fim. Em todo caso, a frase serve para fazer o leitor –
caso a citação valha a pena ou mesmo por curiosidade –
prosseguir a leitura. Alguns acham pouco e ainda deitam
um nariz de cera até explicar o tal conteúdo. Não é o
caso desta frase de abertura que é uma constatação fácil
de ser feita no nosso dia-a-dia.
Só faltava quem repercutisse – para
usar um termo bem atual – o que fez a coordenadora do
grupo técnico de População e Cidadania do IPEA
(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), professora e
escritora Ana Amélia Camarano, autora do livro “Muito
Além dos 60: Os novos idosos brasileiros”. Para ela,
“o velho não é mais o que a gente tinha idéia: uma
pessoa fisicamente dependente, incapaz. Não é mais
assim”, observa.
A frase também foi usada pela
comentarista de economia da CBN, Miriam Leitão, durante
o ping-pong que promove quase diariamente com o
âncora do Jornal da CBN, Heródoto Barbeiro. O comentário
da terça-feira, dia 26, tinha o objetivo de mostrar um
dos atos considerados desnecessários praticados pelo
Banco do Brasil – refletindo na redução do lucro - ao
estimular a demissão voluntária de servidores com mais
de 50 anos.
Por coincidência era na véspera do
Dia do Idoso (27/02) de acordo com o calendário de datas
e fatos - livro presente na maioria das redações.
Dispensável dizer que Miriam e Heródoto fizeram uma
festa com a lembrança da frase que sintetiza uma visão
atualizada sobre a questão da pessoa idosa. E
massagearam o ego de grande parte da audiência da
Central Brasileira de Notícias.
O comentário sobre mudança no
conceito de velhice deu-se em meio à necessidade de se
prestar homenagem a duas destacadas figuras que passaram
grande parte da vida e até mesmo na idade provecta,
prestando serviços a Natal, os ex-vereadores Carlos
Alberto Moreira Dantas Caú e Auta Vieira – recém
falecidos e sobre os quais busquei alguma informação no
site da Câmara Municipal de Natal. Nenhum registro. Uma
linha sequer.
O destaque desde o fim-de-semana, com
direito a foto, é a entrega do título de cidadão ao
jovem vocalista Durval Lelis, da banda de axé baiano
“Asa de Águia”, repetindo gesto ocorrido há poucos dias
com a jovem cantora também baiana Cláudia Leite, da
banda “Babado Novo”. Prova que os edis natalenses estão
mesmo ligadões na folia. Dos ex-vereadores falecidos
durante o mês inexiste qualquer menção que pudesse
complementar uma notícia, comentário ou até mesmo
homenagem aos ex-integrantes do Legislativo natalense.
Caú – Carlos Alberto Moreira Dantas,
falecido dia 12 de fevereiro, aos 80 anos, uma vida
inteiramente dedicada ao Legislativo. Foram oito
mandatos exercidos de
1962
a 1990, quando se aposentou.
Somente voltou à Casa em 2005 para a entrega do título
de cidadão natalense ao irmão marista Kerginaldo Correia
Moreira. Falava e ria pouco e dizia que era para poder
tratar os assuntos do povo com mais seriedade. “A sua
partida deixa o vazio de personalidade singular na vida
pública do Estado”, afirma o ex-deputado federal Ney
Lopes, lembrando que Caú merece uma homenagem especial.
Sobre Auta Vieira, falecida no dia 4
de fevereiro – ela sofria de problema renal crônico - a
convivência profissional torna mais fácil recordar. Além
de ter trabalhado como colunista no jornal “A
República”, na época em que fui diretor da Imprensa
Oficial e depois no rádio, com programa voltado para
assuntos comunitários na antiga rádio Trairy (hoje CBN),
Auta - vereadora de
1987
a 1988 - também foi instrutora do
Senai.
Gostava de lembrar afinidade que
tínhamos como instrutores - ela no curso de Relações
Humanas e eu no TWI – Training Within Industry
(Treinamento Dentro da Indústria). Foi marca registrada
de Auta Vieira no rádio, a saudação “Companheiros e
companheiras de lutas e de ideal”. Foi este trabalho
que a credenciou junto aos movimentos sociais então
incipientes. E a assumir funções e conquistar um
merecido mandato popular.
Assim, diante da omissão da Câmara,
em não fazer qualquer registro que lembre a memória dos
dois ex-vereadores, fica difícil tratar esse assunto com
a suavidade extraída pelo escritor Afrânio Pires Lemos
de alguns artigos aqui publicados – incluindo um de
nossa autoria sobre Clarice Palma. É que homenagear
artista, jovem e de preferência baiano produz imagem de
maior impacto. E todos sabem que Auta Vieira e Carlos
Alberto Caú não eram dessas coisas.
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