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A insegurança que se alastra nos dias
atuais, ultrapassa a todos os limites e ganha com folga
qualquer estatística, pesquisa, levantamento, enquete ou
comparação. Houve tempo em que pelo menos duas emissoras
de televisão – as redes Globo e Record – limitavam o
noticiário policial. Editores de jornais torciam o nariz
e restringiam os espaços de polícia, o chamado mundo
cão. Agora não, liberou geral e, quem prestar atenção
vai perceber que o crime - com os seus tentáculos -
ocupa todos os espaços e abre ou reabre outros. A
Internet é um deles.
Quem assiste aos telejornais da noite
percebe uma total mudança no tratamento das notícias
sobre a violência. O diferencial está na forma. São as
mesmas divulgadas no final da tarde pelo apresentador
José Luiz Datena, na TV Bandeirantes ou no programa
“Aqui Agora”, do SBT – pioneiro dos telejornais
sensacionalistas de apelo popular - de volta onze anos
depois. O “Aqui Agora” esteve no ar de
1991
a
1997. A volta, promoveu o retorno
a São Paulo do comunicador natalense Herbert de Souza,
que de passagem por Natal produziu e apresentou durante
alguns meses um programa policial denominado “Impacto”,
num dos canais de televisão por assinatura.
Contam-se nos dedos as atividades
imunes à ação dos bandidos. Como um vírus, metástase ou
o mosquito da dengue, a violência somente não chegou aos
canis de criação de cachorros da raça pit-bull e casas
funerárias, estas para não associar ao local onde muitos
deles já deveriam estar. E uma prova desse quadro de
insegurança está entre nós, jornalistas. Há duas
semanas, uma equipe do JH Primeira Edição foi
assaltada em pela luz do dia e em um dos bairros
considerados nobre de Natal, Capim Macio. O fotógrafo
Ney Douglas, o motorista Ricardo Tavares e o repórter
Danilo Sá tiveram instrumentos de trabalho e objetos
pessoais levados sob a mira de revólveres, restando o
registro policial e um texto-desabafo nas páginas do
jornal.
No mesmo período, a colunista Simone
Silva teve susto parecido ao ser vítima – ao lado de
Miss RN 2007, Kaline Freire, de um arrastão realizado em
um salão de beleza, no Tirol, quando se preparavam para
a festa da Miss 2008. E um veículo da InterTV Cabugi
foi violado na praia de Búzios, enquanto a repórter
Virgínia Coeli produzia a matéria, deixando-a sem a
bolsa onde estavam dinheiro e documentos. Também sem
documentos ficou há poucos dias o jornalista Franklin
Machado, da CBN. Ao deixar um filho numa festa, os
ladrões entenderam que era para ele deixar também a
carteira, felizmente encontrada dias depois.
Há poucos dias,
em
Capim Macio, o jornalista Walter
Medeiros recebia, numa tarde de domingo, como de hábito,
a visita dos sogros – hoje é o Dia do Sogro -
Sebastião e Neusa. Estes ao regressarem para casa,
em Cidade Satélite, encontraram tudo
revirado. Os ladrões levaram o que puderam através de
uma pequena janela de um banheiro que arrombaram. E para
completar, um ladrão com apelido de “Lambido”, entre os
roubos laptop que confessou, um é do jornal Diário de
Natal.
Os jornalistas foram vítimas da
insegurança como nunca se viu na história do Rio Grande
do Norte. A frase é mesmo uma provocação e pode
confirmar uma assertiva preferida do então governador
Lavoisier Maia: “Comparando é que o povo entende”. Ao
preferirmos citar casos de jornalistas, pela seqüência
que assusta, não é por falta de outros segmentos nos
quais nunca também na história se viram envoltos nas
malhas da criminalidade.
O ABC - recorde-se de assaltos
realizados no Frasqueirão – escolas resistindo em abrir
o ano letivo por conta dos marginais, mercadinhos
funcionando através de gradeados, farmácias e casas
lotéricas com empregados apavorados, arrastões em bares,
restaurantes e churrascarias, clínicas médicas, salões
de beleza, ônibus e alternativos e até – pasmem – no
Exército da Salvação, uma igreja evangélica localizada
na Rua São José,
em
Lagoa Seca.
Mas, dois assaltos ocorridos nesses
últimos dias são mais uma prova da banalização do crime.
O roubo de um cone com o símbolo da Polícia Rodoviária
Federal e o outro de próteses penianas levadas do
almoxarifado da Secretaria Municipal de Saúde,
localizado no edifício Ducal. Que danado um casal queria
roubando um cone de borracha de quase meio metro de
altura. E as próteses penianas? Assim, não dá para se
desenhar outro cenário para a insegurança pública nesses
últimos anos. Que é, no mínimo, o de um filme de
suspense. Ou já é de terror? - Uma vergonha, diria Boris
Casoy.
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