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A proliferação de veículos de
comunicação contribuiu para quebrar um tabu sustentado
pela sabedoria popular de que futebol, política e
religião não se discute. O futebol, não só se discute,
mas agora virou até motivo de briga - o que é condenável
- através de torcidas desorganizadas ou marginais
infiltrados entre os verdadeiros torcedores. Na
política, cujas decisões influenciam diretamente na vida
e especialmente no bolso das pessoas é até saudável que
haja o debate das idéias e o acompanhamento das ações
tanto do Executivo como nos legislativos. Quanto à
religião, hoje a dividir espaço na mídia eletrônica com
a política e o futebol é onde cada um tem a sua crença.
Diferente do clube, do qual se tem raiva quando não está
bem ou do político que perde o voto por não corresponder
durante o mandato, na religião tais reações não entram
com tanta freqüência.
Mesmo assim, em todos pode haver
unanimidade – ou quase – quando se trata da Seleção
brasileira, no futebol, por exemplo. Imaginem um jogo
agora entre Brasil e Espanha. No campo político pode até
não ser unanimidade, mas todos passaram a sentir um
alívio com o fim do seqüestro compulsório de parte do
seu dinheiro pela famigerada CPMF. Na religião - cristã
ou não – todos de uma forma ou de outra são instados a
viver o clima da Semana Santa.. É em casa, vendo pela
televisão, lendo nos jornais ou ouvindo no rádio a
publicidade envolvendo os “festejos da semana santa” e
que vão das ofertas de ovos de páscoa, peixe e bacalhau
pelos supermercados ou os pacotes oferecidos por hotéis
e pousadas para o “feriadão” desta sexta-feira.
Unanimidade: ninguém se queixa do fim-de-semana
prolongado.
Desde ontem - Domingo de Ramos –
estamos na Semana Santa em que o mundo cristão celebra a
Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo – o filho
de Deus. Como católico - quando menino quase fui
promovido a Mariano na congregação da Igreja de São
Pedro levado pelo meu avô paterno – confesso que só
agora percebi que a Semana Santa teve a primeira
celebração em 1.682. Imaginava, embora isso não faça
diferença, que esses atos datavam do início do primeiro
milênio. Mas, como gosto de observar o significado dos
eventos, religiosos ou não, ainda procuro explicação
para o fato de a Semana Santa começar no Domingo de
Ramos e na segunda-feira - hoje, no caso - a terça-feira
e a quarta-feira santa passarem “in albis” como gostam
de dizer os advogados. Todas as programações saltam para
a quinta-feira – o Lava-pés – e a Sexta Feira da Paixão.
A quarta-feira próxima, 19, é o Dia
de São José, considerado patrono universal da Igreja,
dos pais, dos carpinteiros, dos agricultores e da
justiça social. Mesmo assim – aí uma discussão – a Santa
Sé decidiu antecipar as comemorações para o sábado
passado, 15. Explicação: a Igreja suspende todas as
outras atividades, para que os fiéis possam dedicar-se
unicamente às reflexões da morte e ressurreição do
Senhor. Como a chuva caprichosamente não apareceu, pelo
menos em Angicos – ícone no RN nas comemorações do Dia
de São José - é certo que nesta quarta-feira o
agricultor irá manter a tradição de, com expectativa e
muita fé, aguardá-la como sinal definitivo de inverno.
Isso nem se discute.
Mas, sobre o Domingo de Ramos,
procurei e encontrei no site da Arquidiocese de Natal,
www.arquidiocesedenatal.org.br, uma mensagem
bem lúcida e atual de autoria do padre João Medeiros
Filho, e pinço um trecho para traduzir o significado
deste dia, na visão católica: “A narração da Paixão do
Senhor, que ouvimos na Liturgia da Palavra do Domingo de
Ramos, mostra-nos que nela se concentraram todos os
desvios da humanidade. Primeiramente, a traição de um
discípulo, que O entrega a troco de dinheiro.
Verificamos a dispersão assustada dos apóstolos, que, na
prática, fogem e O abandonam. Constatamos a mentira dos
testemunhos, a ambigüidade dos objetivos, a perplexidade
e fraqueza de quem julga. Deparamo-nos com a crueldade
abusiva na execução da pena, não respeitando a dignidade
do condenado”.
Diz mais o religioso do clero
arquidiocesano: “Vejamos o mundo de hoje: não podemos
ignorar as traições e os que estão dispostos a tudo por
dinheiro, a indiferença dos amigos na hora da provação,
as incertezas da justiça humana. Olhemos esse mesmo
mundo de frente, porque também essas fraquezas fazem
parte da sociedade que queremos transformar. Observemos,
não para condenar, mas para compreender à luz do drama
humano, pois continua a ser importante que um homem,
Jesus Cristo, tenha suportado, oferecido e vencido tudo
por puro amor. Não podemos esquecer que a generosidade
da sua morte continua a ser um grande testemunho do amor
de Deus por nós”. Reflita.
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