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Sob o título “Nós e a insegurança”, fizemos há 15
dias uma abordagem - para usar a linguagem própria -
sobre este problema que hoje afeta a todos,
indistintamente. Foram citados fatos sucessivos
ocorridos com jornalistas vítimas da ação de bandidos. A
intenção era fazer com que mostrados em série pudessem
contribuir como mais um alerta sobre essa questão que
está presente em toda parte. Hoje, de cada dez pessoas
chamadas a opinar sobre segurança nove irão lembrar
fatos desagradáveis ocorridos com pessoas conhecidas ou
divulgados pela imprensa. E concluirá que a segurança
precisa, com urgência, apresentar à sociedade algo novo,
um diferencial que comece pelo menos a inibir a ação dos
marginais.
Dois episódios ocorridos durante essa quinzena fizeram
com que retornasse ao tema, agora para tratar a questão
por outro ângulo. O de eventos positivos – raros - mas
que, por dever de justiça, merecem registro. No sábado,
15, um fato inusitado ocorreu na Avenida Engenheiro
Roberto Freire, proximidades do supermercado Extra e que
resultou na prisão de dois elementos. No meio da tarde,
uma equipe da Polícia Militar fazia o patrulhamento na
região quando se deparou com uma moto trafegando na
contramão. Feita a abordagem, os policiais encontraram
com a dupla um celular Sony Ericsson V 300 e um relógio.
Indagados de quem eram os pertences, os rapazes – João
Flaviano, 19 anos e Ronilson Lima, 18 - disseram ser
deles. Foi aí que o celular tocou e o policial atendeu.
Do outro lado da rua, um adolescente de 17 anos acenava
que o celular era seu e que havia sido roubado há poucos
instantes.
O outro evento, também no mesmo dia. A transferência de
nove presos de Alcaçuz para a penitenciária Federal de
Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Com a aquiescência da
Justiça, foram removidos acusados de fomentarem
rebeliões, atentarem contra o patrimônio público e de
fazerem ameaças de morte a companheiros de cárceres.
Morte que alguns deles concretizaram há poucos dias,
chegando a decapitar dois dos colegas apenados. É certo
que a transferência causa transtorno ainda maior aos
familiares dos detentos, mas entre a intranqüilidade da
unidade prisional no geral, é preferível a punição
maior, até mesmo para servir de exemplo e provar que
sempre existe uma saída e que o fator surpresa também
pode ser aplicado sob o amparo da Lei.
Do primeiro fato - mostrando a eficiência da Polícia, ao
flagrar dois com o roubo na mão - uma prova de que o “Ronda
de Quarteirão”, sugestão apresentada pelo presidente
da Assembléia Legislativa, deputado Robinson Faria (PMN)
ao Governo do Estado pode ser adotada em Natal de forma
institucional a exemplo do que ocorre em Fortaleza-CE,
com a aprovação de 95% da população. Trata-se de um
programa de policiamento comunitário, ostensivo e
preventivo, com patrulhamento 24 horas oferecendo mais
tranqüilidade e segurança aos cearenses. A estrutura é
montada de forma que o cidadão em risco ao ligar o 190 –
o mesmo número daqui – tenha a expectativa de que em 5
(cinco) minutos no máximo a ocorrência estará sob o
controle da Polícia. Evita o que se vê em Natal, onde as
pessoas assaltadas ou em situação de risco muitas vezes
desacreditam da mobilidade policial e desistem até ligar
para pedir ajuda ou mesmo prestar queixa.
Outro fator positivo na área da Segurança Pública é a
notória disposição que o secretário de Defesa Social,
advogado Carlos Castin em ouvir os reclamos das
entidades de classe. Agora mesmo, num curto espaço,
esteve na Federação do Comércio e no Sebrae. É acessível
ao diálogo, embora ouvindo uma saraivada de reclamações
e protestos, alguns colocando em xeque a competência do
Governo do Estado nessa área. Ouvi certa vez de um
governante, num momento em que tinha a eficiência posta
em xeque, uma frase difícil de esquecer: “Governo fraco
ninguém respeita”.
São ações como o flagrante na Avenida Engenheiro Roberto
Freire e a transferência-surpresa de apenados as provas
de que - apesar de tudo – é possível encontrar fatos
positivos que somados a outros poderão começar a
resgatar a confiança das pessoas no trabalho da
segurança pública. O que se cobra é mais firmeza do
Governo do Estado, em especial no setor de inteligência
como tem ocorrido com sucessivos eventos na alçada da
Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, com
destaque para o combate ao tráfico de drogas. O êxito se
dá, em parte, graças à presença ostensiva nas rodovias
federais e no embarque e desembarque no Aeroporto
Augusto Severo. Ostensivamente como age o “Ronda de
Quarteirão”.
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