OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

POSSE E HOMENAGEM

            Wellington Medeiros*

 

Dois norte-rio-grandenses no topo de suas carreiras no Poder Judiciário, um em nível estadual - o desembargador Francisco Saraiva Dantas Sobrinho – e o outro em nível nacional – o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), José Augusto Delgado - foram os alvos das atenções nesta sexta-feira, durante solenidade conjunta promovida pelo Tribunal de Justiça, presidida pelo desembargador Oswaldo Cruz. O primeiro, empossado no cargo de Desembargador e o outro ao receber a medalha “Desembargador Honorário”.

O desembargador Francisco Saraiva exerceu o cargo de juiz de direito desde 1980 em Apodi, Mossoró e Natal e antes de ingressar na magistratura, trabalhou durante seis anos como radialista na rádio Nordeste e como funcionário público na Prefeitura de Natal. O primeiro fato foi lembrado neste fim-de-semana pelo jornalista Franklin Machado (rádio CBN) que trabalhou na época ao lado do então redator, certamente concorrendo comigo na então rádio Cabugi. Chega, com todos os méritos, ao topo da carreira no Judiciário potiguar.

Na mesma cerimônia, em meio à contagem regressiva para a aposentadoria compulsória como Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o norte-rio-grandense, natural de São José de Campestre, José Augusto Delgado, recebia mais uma homenagem, desta vez do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte que lhe outorgou a medalha “Desembargador Honorário”.

A menos de dois meses para deixar a alta corte de Justiça brasileira – exatos 53 dias – o Ministro recebeu do Judiciário estadual, uma comenda que somente fora entregue uma vez na sua história, em 1950, ao desembargador Miguel Seabra Fagundes, um dos norte-rio-grandenses que mais se destacaram no século passado e em cujo currículo está o cargo de Ministro da Justiça do Presidente João Café Filho.

Magistrado, jurista, professor, pai de família, amigo leal, homem de bem e cidadão que, acima de tudo, ama a pátria. Esse perfil do ministro José Augusto Delgado poderia ter sido traçado por mim ou por qualquer norte-rio-grandense que acompanha a trajetória dos conterrâneos que se projetam em nível nacional e até internacional, mas foi escrito por um dos juristas mais respeitados do país, o paulista Ives Gandra da Silva Martins.

Lembro do Ministro em meados dos anos 70 quando exercia o cargo de Juiz Federal e a sede do Juizado ficava localizada em frente à Escola Doméstica de Natal. Sempre atencioso, nunca se negava a receber a imprensa, embora vivêssemos um dos períodos mais complicados da vida brasileira, marcado pelo autoritarismo. O jornalista Walter Medeiros (www.rnsites.com.br) recorda o ano de 1976 quando chegou à redação da Tribuna do Norte a notícia da aprovação do Dr. Delgado em 1º lugar no concurso para Juiz Federal Substituto. É que o atual Ministro começara a colecionar primeiros lugares nos concursos que disputava: em 1974, para professor colaborador da UFRN e também em 1976 para professor assistente. Ministro do STJ desde 1995, depois de presença marcante no Tribunal Regional Federal, não mudou. É o que vemos na imprensa e em artigos que analisam a atuação dos ministros do STJ.

Incansável, no dizer do jurista Ives Gandra, percorre o Brasil proferindo conferências em todos os centros e congressos para os quais é permanentemente convidado, com particular brilho, humor quase britânico, temperado pelo sabor brasileiro e profundo conhecedor das matérias que aborda. E conclui revelando que “no Direito Público é um dos grandes nomes do país, transcendendo seus escritos as fronteiras nacionais, para serem lidos e publicados em outras nações, com o mesmo sucesso encontrado no Brasil”.

Nesses 13 anos de STJ – e até recentemente também no Tribunal Superior Eleitoral, TSE - o ministro José Augusto Delgado está na vanguarda dos que defendem e lutam pela celeridade na tramitação do processo, um dos fatores que mais desgastam a imagem da Justiça brasileira. Aponta para medidas básicas que podem surtir efeito e que vão desde valorização das decisões de juízes de 1º grau, até uma legislação reformista ampla para o processo, eliminando os rituais que não atingem seu fim. Agora mesmo o Senado aprovou projeto que reduz a subida de recursos ao STJ – somente em 2007 foram julgados mais de 330 mil processos – o que dificulta a agilidade na tramitação. O presidente Lula deve sancionar em breve. Deus está vendo a necessidade.

  

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 14.04.2008

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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