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Dos 207 artigos que escrevi desde março de 2004 e
publicados todas as segundas-feiras neste Jornal
de Hoje este é o terceiro a abordar diretamente
um caso de polícia. O primeiro sobre o assassinato do
empresário Paulo Ubarana, ocorrido em 21 de setembro de
2004 e o outro há exatos seis meses, sobre o assassinato
da dona de casa gaúcha Andréia Rosângela Rodrigues, 37
anos, ocorrido em 22 de agosto do ano passado.
A princípio, ambos estavam envoltos em mistério, mas,
depois de investigados foram devidamente esclarecidos
pela Polícia do Rio Grande do Norte e os criminosos
entregues à Justiça, atendendo o clamor natural de
familiares e da sociedade. Espero manter essa média de
1%, até porque não vejo sentido uma abordagem pura e
simples de fatos já exaustivamente de domínio público.
Mas sempre surgem eventos que permitem chamar à
reflexão, como no caso da menina Isabella nesta semana
que antecede ao Dia das Mães.
Para a elucidação da morte de Paulo Ubarana, 41 anos,
que levou alguns dias, além das testemunhas, um cavalo
morto nas imediações da cena do crime, um matagal nas
dunas da praia de Búzios, contribuiu para que o delegado
Ronaldo Gomes elucidasse o mistério e colocasse o
responsável, espanhol Anxo Antón na cadeia, depois
condenado pela Justiça. Como a descoberta ocorreu
próximo ao Dia de São Francisco, 4 de outubro, o artigo
“Cavalo, crime e castigo” era também uma homenagem ao
padroeiro dos animais.
Já o mais recente, “A lenda e a lógica”, foi sobre a
morte da dona de casa gaúcha, na qual pouco adiantou as
negativas do autor, o sargento da Aeronáutica Andrei
Bratkowski Ties e dos próprios pais. Uma conversa da
filha do casal, de apenas 12 anos, com o delegado
Raimundo Rolim que apurou o caso, contribuiu para
desvendar o mistério que durou 69 dias e o corpo foi
depois encontrado enterrado num quintal da casa. Nos
dois eventos criminosos, o mesmo componente: negativa de
autoria, o que sempre leva a Polícia a se desdobrar na
apuração, na maioria das vezes sob a pressão dos
familiares e não raro da sociedade.
O caso da menina Isabella, o cenário se inverteu e o
primeiro elemento de prova a surgir foi a vítima de
apenas cinco anos, atirada propositadamente de uma
janela do sexto andar do edifício onde moravam o pai e a
madastra, encerrando tragicamente uma das visitas
quinzenais que fazia. Eram 23h49 do dia 29 de março e
desde então é uma das pautas diárias dos veículos de
comunicação e não pode ser diferente. Hoje, entramos
para a sexta semana e a expectativa é sobre o desfecho
para o destino do pai, Alexandre Nardoni, 29 anos e da
madastra Anna Carolina Jatobá, 24 anos.
Uns acham que está havendo excessos durante a cobertura,
pois apontam outros assuntos mais relevantes, a dengue
por exemplo. Outros alegam que o casal está sendo
condenado por antecipação e lembram o caso da Escola de
Base, também
em
São Paulo, um evento completamente
diferente, em que um delegado de Polícia imprudente e
pais desequilibrados, resolveram denunciar suposto abuso
sexual como se reclama do surgimento de uma goteira ou a
quebra de uma carteira. Feito um balanço dos prejuízos,
todos saíram perdedores, inclusive a imprensa.
No caso Isabella dá para se perceber a cautela com que
os veículos de comunicação abordam o caso, procuram os
fatos que mostram todos os ângulos da questão. Sempre na
busca da verdade, embora tendo que conviver com a
mentira. E durante todos esses dias, outros assuntos
continuaram naturalmente em pauta: a dengue, as
enchentes, as guerras, o preço dos combustíveis,
sucessão nos Estados Unidos, as aventuras sexuais de
Ronaldinho, cartões corporativos, os destrambelhados
discursos de Lula, e até as conquistas dos campeonatos
carioca (Flamengo); paulista (Palmeiras); gaúcho
(Internacional); mineiro (Cruzeiro); paranaense (Coritiba)
e baiano (Vitória), entre outros.
E, com certeza que esta semana, um dos assuntos na mídia
é o Dia das Mães, cujo episódio Isabella nos remete à
sabedoria do Rei Salomão diante de duas mulheres que se
apresentaram com um problema sério. Contam que – certa
vez – o Rei teria que decidir a quem entregar uma
criança, reivindicada por duas mães. Resolveu, então,
dizer às mulheres que dividiria a criança ao meio e
entregaria uma parte para cada um delas. A mãe
verdadeira, não querendo perder o seu filho, mandou o
Rei entregar a criança para a outra. O sábio Rei
entregou-lhe, então, a criança, identificando a
verdadeira mãe. Qual das duas mães seria Anna Carolina
Jatobá?.
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