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Ao aproveitar o feriado de Corpus
Christi, nesta quinta-feira, 22, para alinhavar o artigo
desta segunda-feira, abro as caixas de e-mails e, após
apagar 99%, acesso dois entre os que restaram por tratar
do assunto do dia: religião. Um, com teor evangélico e o
outro sobre espiritismo. Católico, sei desde menino que
Corpus Christi é uma das datas festejadas pela Igreja,
destinada a comemorar a presença real de Jesus Cristo no
sacramento da Eucaristia. Daí, primeira comunhão –
primeira hóstia - ser o sinônimo de primeira Eucaristia.
Embora os católicos ingressem na
religião compulsoriamente - como eu - através do batismo
ainda nos primeiros meses de vida, foi uma destas
cerimônias promovida pelos evangélicos da Assembléia de
Deus que chamou atenção de Natal há uma semana. Foram
cerca de duas mil pessoas que lotaram a praia do Forte
para esta marca histórica de batismos, ponto alto nas
comemorações dos 90 anos de atuação no Rio Grande do
Norte, encerradas neste sábado, 24. Independente de
idade ou posição social, todos foram imersos em grupos
de 90 pelos pastores, ampliando a estatística dos
evangélicos.
Faz lembrar pesquisas realizadas pelo
IBGE que em 1940 ao incluir no censo o quesito religião,
constatou que 95% das pessoas se declaravam católicas.
Nos anos 70, esse número já havia baixado para 90%,
chegando a 74% em 2000. Já a quantidade de evangélicos
que engloba diferentes congregações, sendo a mais
conhecida a Assembléia de Deus, cresceu de 2% em 1940
para 15,5% em 2000. Tanto católicos como evangélicos bem
como outras religiões têm um amplo campo de trabalho
para esta batalha: a fé, presente na maioria dos
brasileiros. Tanto é assim, que há um ano, por ocasião
da visita do papa Bento XVI, o instituto Datafolha fez
uma pesquisa sobre religiosidade. Constatou que 97% das
pessoas acreditam na existência de Deus.
Isso faz com que o Brasil figure
entre os países mais crédulos do mundo. Como nessa
história de uma mulher muito pobre, mas que tinha uma fé
inabalável. Um dia pediu a Deus para colocar um saco de
arroz na sua porta. O vizinho, que era ateu, ouviu a
prece. Para zombar, colocou um saco de arroz na porta da
mulher, que ficou feliz e contou para as vizinhas. Mas o
ateu, rindo e caçoando disse:- Boba, fui eu que coloquei
o arroz, na porta da sua casa. Ela respondeu com
simplicidade: - Está vendo? Jesus se utiliza até dos
ateus para fazer milagre. Estes, por sua parte, apóiam o
filósofo francês Bérgson. Ele diz que todas as igrejas
detestam o egoísmo terrestre, mas todas recomendam o
egoísmo celeste. Geralmente, ensinam que o homem deve
ser bom, altruísta, virtuoso a fim de merecer o céu –
ser salvo - e não percebe que também isto é egoísmo, o
egoísmo póstumo.
Mas há os que acreditam na
reencarnação, como o internauta espírita Cleber Pinheiro
Costa do qual recebo um e-mail sob o título “Comece por
você”. Em síntese, mostra que quando estamos vinculados
a uma determinada religião, desejamos que os nossos
parentes, nossos amigos professem a mesma crença,
comunguem dos mesmos ideais. Por vezes, chegamos a nos
tornar um pouco inconvenientes, ou talvez até em
demasia, mandando recados, frases escolhidas para os
amigos. Tudo nesse intuito de que eles as leiam, as
observem e coloquem
em prática. Porque – conclui – cada um
de nós deseja, pensa, anseia mudar o outro.
A liberdade de religião é um direito
fundamental consagrado na Constituição Federal. Cabe ao
Estado proporcionar aos seus cidadãos um clima de
perfeita compreensão religiosa, combatendo a
intolerância e o fanatismo. Daí a prática do ecumenismo
– pessoas de religiões diversas convivendo em paz - e a
mudança que já se observa nos oradores dos programas de
rádio e televisão religiosos. Estão, aos poucos,
abolindo o ataque frontal e intolerável que muitas vezes
contribuem para afastar os próprios adeptos.
Como instrumento de atração, uma das
grandes novidades adotadas mais intensamente nos últimos
anos por algumas religiões é a mensagem através da
música. Fazem sucesso os padres Zezinho, Antonio Maria e
Marcelo Rossi. Já os evangélicos chamam de música Gospel
(significa Evangelho). É nesse segmento onde
desponta, entre outras, uma cantora sanfoneira e que
também executa outros instrumentos, Alice Maciel. As
músicas, tanto dos padres como a cantora gospel
pernambucana radicada no Rio Grande do Norte - Parelhas
– atingem o objetivo: cultuar a fé e exaltar o poder de
Deus. Este, sim, o único digno de louvor.
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