OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

DENGUE E COMUNICAÇÃO

            Wellington Medeiros*

 

Em plena Semana do Meio Ambiente, cujo Dia Mundial será comemorado nesta quinta-feira, 5 de junho, uma epidemia de dengue que se alastra por todo o Rio Grande do Norte - ora em estado emergência - é o maior atestado da falta de respeito para com a natureza que atormenta a todos e transforma em vítimas grande parte dos seus habitantes. Subproduto da urbanização desordenada e exagerada, a dengue literalmente já está incorporada ao rol das mazelas de difícil - mas não impossível - controle, como a criminalidade, tráfico de drogas, corrupção, poluição, trânsito engarrafado e até a bandidagem na Internet.

No caso da dengue e o meio ambiente é fato que a doença é transmitida por uma espécie de mosquito já bastante famoso e que, como ocorre com qualquer forma de vida, também sofistica as suas defesas para garantir a sobrevivência à custa dos humanos. A despeito do progresso científico – células-tronco, o da ordem-do-dia – o primordial é se trabalhar a necessidade de uma relação harmônica com o ambiente, única resposta eficaz contra a dengue e outros males que rondam a natureza que luta para se equilibrar. Localizar os agressores ao longo do tempo, basta olhar agora ao seu redor.

A cobertura voluntária da imprensa a todas as ações que se voltam para a defesa do meio ambiente e combate a dengue é facilmente vista, ouvida e medida. Seja nas páginas diárias deste O Jornal de Hoje, no JH Primeira edição, nos demais jornais impressos bem como nas emissoras de rádio e televisão. A imprensa é um espelho que reflete a imagem do meio onde está inserida. Pode até tentar retocar, como na colaboração voluntária na “guerra” contra o aedes aegypti, mas o “general” que tem que estar na linha de frente e desta missão não pode abdicar - é o governo.

Desde o mês passado, a Rede Tropical veicula uma campanha ostensiva de orientação à população sobre os perigos da doença e a necessidade de prevenção, combatendo - caçando o mosquito aedes aegypti. “Eu Sou Caça - Dengue” é o tema da campanha voluntária realizada em parceria com a agência ART&C Comunicação Integrada, com o envolvimento voluntário de todos os profissionais da empresa de comunicação. A campanha educativa complementa a cobertura jornalística de rotina. Outros veículos de comunicação agem na mesma direção, pois todos observam uma seqüência preocupante de derrotas até agora nas batalhas de combate ao mosquito da dengue.

Foi nesta cobertura que durante meses e anos se assistiu ao bate-cabeça daqueles que deveriam ter evitado que se chegasse a esse número assustador – mais de 25 mil casos desde o início do ano. Além da discussão se o mosquito é federal, estadual ou municipal, prédios fechados, greve dos agentes de saúde, chegada do inverno é agravada pela crônica falta de estrutura na rede pública para atender aos pacientes. Traduzindo o quadro, concluíram do operário ao doutor – do agente mais humilde ao ministro José Gomes Temporão, que a guerra foi perdida. Mesmo depois de incontáveis entrevistas com especialistas que buscavam orientar as pessoas sobre os cuidados para barrar a proliferação dos mosquitos e reduzir os casos da doença. Qualquer criança sabe, hoje, onde está o mosquito da dengue. E isso se deve, é claro, aos meios de comunicação.

Neste fim-de-semana ocorreu o Dia D de Combate à Dengue, convocado pelo Governo do Estado, depois que o Ministério Público estadual acenava com outras medidas, diante dos números sempre crescentes de casos da doença. Em 7 maio eram 19.157 casos oficiais, chegando a 23.424 no meio do mês e terminando dia 28 com 25.512. Trabalho que serviu para, afinal, mobilizar todos os municípios atingidos e produzir a recomendação da governadora Wilma de Faria de que “o mosquito tem que ser combatido antes de aprender a voar”.

“Estou aqui hoje porque o problema é mais grave do que pensamos e todos temos que nos mobilizar”. Disse ainda a governadora Wilma de Faria, chamando a atenção da população para que “todos fiquem atentos, principalmente em suas casas”. É justamente em casa onde a população ao ligar o rádio ou assistir televisão ouve a toda hora mensagens educativas transmitidas, na sua maioria voluntariamente. Diferente, data vênia, da Governadora que, até mesmo por falta de tempo – o que é compreensível – não ouve rádio ou vê televisão com freqüência e poderia – caso informada - ter se poupado de ocupar audiência com o Presidente Lula, conforme revelou, para se queixar de falta de campanhas contra a dengue no rádio e televisão.

 

 

  

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 02.06.2008

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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