OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

RESSONÂNCIA MAGNÉTICA

            Wellington Medeiros*

 

Indagado certa vez sobre a convivência com as pessoas, o deputado federal Ulysses Guimarães – um dos ícones da redemocratização do país – respondeu que não tolerava gente chata. E o repórter insistiu para ele apontar uma característica da pessoa chata e ele de pronto respondeu: “É aquela que você pergunta como vai e ela resolve contar”. A mesma coisa ocorre com o leitor ao se deparar com um título como o deste artigo. Mais chato impossível.

Ressonância Magnética é a denominação do exame médico que fiz recentemente – por conta de uma bursite num ombro – e daí resolvi pesquisar e contar, depois de encontrar pessoas que reagiram com mais impaciência, como as portadoras de claustrofobia - medo de lugares fechados ou de ser enclausurado. E outras que chegam a ser sedadas para suportar quase meia hora dentro de um tubo, apenas com a cabeça de fora.

Foi osso, literalmente. No local do exame, depois da burocracia o convite para outra sala, onde em instantes uma atendente me entregou uma vestimenta especial. Trocada a roupa, encaminhado finalmente para o ambiente onde estava o equipamento – o tubo – onde fui orientado a deitar, recebendo um fone de ouvidos e um pequeno aparelho para, se necessário, acionar uma campainha de contato com a equipe. Ainda indaguei quanto tempo e a assistente respondeu entre 20 a 25 minutos.

De resto, músicas orquestradas revezando com um barulho parecido com batidas em intervalos regulares. Fui advertido que estava movimentando a mão, mas não percebia e nem dava. Na saída, respondi a um questionário e fiquei no aguardo do resultado que não apresentou nada de grave, além de confirmar a bursite subacromial/subdeltóidea.

Mesmo consciente da chatice que é falar em doença e ainda para completar relatar o desconforto do exame, coube ao jornalista e escritor Walter Medeiros (www.rnsites.com.br) endereço onde mantém uma coluna “Humanização no Atendimento”, mostrar que o assunto é mesmo tema de preocupação. Walter integrou uma equipe que chegou a funcionar na Secretaria Estadual de Saúde para implantar o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar.

Como o programa foi criado pelo então ministro José Serra, o governo Lula da Silva resolveu modificar a Política de Humanização e implantar a política de saúde do PT. O resultado – além dos 28 mil casos de dengue, somente este ano – a saúde está hoje nas manchetes policiais de todos os jornais do Brasil e certamente nesta edição do JH, divulgando ação da Justiça e Polícia Federal iniciada na última sexta-feira. 

Mas, foi graças ao trabalho no Programa de Humanização e a repercussão no site que Walter recebeu dia 6 deste mês um e-mail de uma médica elogiando os artigos e dizendo que gostaria de receber orientações ou sugestões para instalação de uma sala de espera de uma clínica de Ressonância Magnética. A Dra. Andréa M. Oliveira dizia na mensagem: “É freqüente a presença de pacientes claustrofóbicos e ou ansiosos nessas ocasiões e tudo o que puder ser feito para tranqüilizá-los é bem-vindo”.

Walter, que é autor do livro Onde Está o Atendimento? lançado pela editora Viena (SP), sugere o que se pode chamar de 12 passos para a humanização, começando por reconhecer que a sala de espera é sempre estressante e diz que o caminho é mesmo procurar tranqüilizar os claustrofóbicos e ansiosos e mais adiante adverte que de nada adianta um local de exame harmônico, sereno, tranqüilo e belo se o cliente chega com dúvidas.

Chama atenção para o primeiro contato do paciente com o ambiente, desde o pastorador de carro, manobrista, vigilante e recepcionista, pois é no desembarque, chegada e primeiro atendimento que um comentário pode botar a caçada a perder. Imagine alguém que chega para o exame e ouve um trio de funcionários – ou até um mesmo que fale consigo – comentando, seja em qual for o tom, sobre alguém que chamou atenção pelo pavor que teve do exame.

E conclui que boa parte do estresse é gerada pela falta de informação que possam desfazer alguns mitos e folclores. No mesmo ritmo dos passos, o médico paulista Giuseppe D´Ippolito, especialista em diagnóstico por imagem, afirma: “Acima de tudo, os exames devem ser humanizados, ou seja, o paciente deve se lembrar que, por trás da máquina que realiza os procedimentos, está um médico, que é um ser humano e vai fazer tudo para ajudá-lo”. Deus está vendo a necessidade.

  

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 16.06.2008

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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