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Foi preciso que chegássemos ao quinto
ano para este artigo semanal do JH coincidir com a
véspera de São João. De
2004
a
2007, a festa transcorreu de
quarta a sábado e mesmo sendo comemorado durante o mês
inteiro, nada como falar deste que é o mais tradicional
evento nordestino em pleno clima de preparativos para
uma das noites mais aguardadas e tradicionais da cultura
da região.
São verdadeiras montanhas de milho
verde ao lado do estádio Machadão e outros pontos da
capital, barracas com as tradicionais indumentárias
matutas também usadas durante todo o mês por empregados
de diversos estabelecimentos – os supermercados são um
exemplo - e os famigerados fogos de artifício. O São
João ganhou tanta força que os governos antecipam parte
do 13º salário para que os funcionários possam melhor
festejá-lo.
Até o Senado, presidido por um
nordestino, este ano entrou em recesso branco. A decisão
do senador Garibaldi Filho (PMDB-RN) em acordo com as
lideranças partidárias, é que esta semana não haja
sessões deliberativas para que os senadores possam
participar nos seus estados dos festejos juninos e
também das articulações para as convenções municipais, a
maioria no próximo final de semana.
Já o presidente da Câmara Federal, o
paulista Arlindo Chináglia (PT-SP) decidiu não atender
aos deputados e realizar sessões com votações
em
plenário. O outro nordestino no Poder
central, o presidente Lula indiferente a votações ou não
- uma vez que administra mesmo é com medidas provisórias
– é um dos festeiros e que gosta de lembrar os tempos
difíceis, mas alegres de Garanhuns (PE) sua terra natal.
Hoje, embora não brinque diretamente, aprecia muito as
quadrilhas..
Assim, considerada a mais brasileira
das festas, o São João é marcado principalmente no
interior do Nordeste por fogueiras acesas em frente às
casas em cujas mesas não podem faltar comidas típicas à
base de milho, como canjica, pamonha e bolo. Como se
criou o mito de que o santo do carneirinho adora uma
festa barulhenta e por isso o clarão das fogueiras e o
estrondo dos fogos para acordar o festeiro, na véspera
do seu aniversário.
É o único santo católico que é
homenageado na véspera do nascimento e não na data da
morte. Há alguns anos os fazendeiros disputavam quem
faria a maior fogueira e hoje são as cidades que
disputam o título de “Maior São João do Mundo”, Caruaru
(PE), “Capital do Forró”, Campina Grande (PB) e “Mossoró
Cidade Junina”, no Rio Grande do Norte.
Mas é na música que os festejos
juninos têm a cara do nordestino, através do imortal
Luiz Gonzaga – o rei do baião – e seus seguidores, entre
os quais Dominguinhos, que neste sábado esteve em Natal
na inauguração do Parque da Cidade e do
norte-rio-grandense, Elino Julião (13.11.1936 –
22.05.2006), o mais famoso forrozeiro do RN. Autor de
músicas de sucesso, ainda hoje, como “Na sombra do
Juazeiro”, “Filho de Goiamum”, “Xodó do Motorista”,
“Rabo do Jumento” e especialmente “A Festa do Senhor São
João” que termina assim: Avise o pessoal de casa que
eu vou mandar brasa neste São João...
Elino, que ficou famoso como
compositor de forró, xotes, marchinha juninas, boleros e
até carimbó, também compunha a cantava textos
publicitários, como um que gravou, a meu pedido, para o
Minipreço exato num período junino e que contribuiu nos
anos 70 para transformar esse nome em sinônimo de
supermercado em Natal. “Em Natal, em Natal todos cantam
assim/ Minipreço, minipreço, minipreço/No Tirol, no
Tirol ou no Alecrim/ Minipreço, minipreço, minipreço” e
por aí seguia. Em ritmo de forró, fazia muita gente
dizer que ia fazer Mini-Preço. E, acreditem, até mesmo
fazer Mini-Preço no Nordestão.
Além da música, o São João que é
marcado pelas comidas típicas, fogueiras, quadrilhas,
simpatias e até superstições tem duas tradições que já
começam a serem revistas: os balões e os fogos, ambos
pelo perigo que hoje representam, pelo menos nas áreas
urbanas. Os primeiros constituem crime desde 1998, com a
vigência da Lei dos Crimes Ambientais. A pena é de
detenção de um a três anos ou multa, ou ambas as penas
cumulativamente. Os fogos, pelo perigo que oferecem às
crianças, muitas hoje mutiladas por conta dessa
estupidez idiota inventada na China. Onde, certamente, o
seu uso é controlado. E punido com o rigor que o mundo
conhece.
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