|
“A Escola que vivi – Memórias de um educador”, título do
livro do professor, ex-diretor do Centro Federal de Educação
Tecnológica – Cefet-RN
e ex-deputado federal João Faustino, lançado neste
final de semana em Natal, é o primeiro evento a lembrar que no próximo ano ocorrerá
o centenário do ensino profissionalizante no Rio Grande do
Norte. Iniciado com a Escola de Aprendizes Artífices, através
do decreto 7.566, de 23 de setembro de 1909, assinado pelo então
presidente Nilo Peçanha (mandatos de 1909 a 1910 e 1914 a
1917) o livro resgata a história de uma das instituições
que, ao longo do tempo, vem contribuindo de forma decisiva
para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte.
Com previsão para chegar ao público daqui a um mês, quando a editora
Vox o colocará à disposição nas livrarias, o lançamento
na biblioteca do Cefet-RN, foi uma demonstração do carinho
que toda sociedade tem por aquele estabelecimento e admiração
pela vida profissional e pública do seu autor. Estavam
presentes professores, ex-alunos e a classe política, esta última
onde João Faustino teve passagem marcante, primeiro como
secretário estadual de Educação no governo Tarcísio Maia
(15/03/1975 – 15/03/1979) e depois como Deputado federal,
começando com o mandato 1979-1983 e reeleito em três
legislaturas seguidas. Na Câmara, foi o autor do projeto de
lei que criou os Centros Federais de Educação Tecnológica.
Instituição de ensino federal mais antiga do Estado – a Universidade
Federal só surgiu nos anos 60 – o Cefet-RN é retratado na
obra do seu ex-diretor, a começar pelo se funcionamento no prédio
onde hoje está funcionando a Casa do Estudante. Em seguida,
passando para a Avenida Rio Branco até a atual sede, na
Avenida Senador Salgado Filho. Retrata como a instituição
evoluiu desde a época dos aprendizes artífices – voltada
para o ensino de profissões. Até os anos 50, formava
profissionais no que denominava artes e ofícios – mecânica,
marcenaria, alfaiataria e arte do couro. Já em meados dos
anos 60, iniciava os cursos técnicos – mineração e
estradas – daí evoluindo para a universidade tecnológica
dos dias atuais.
João Faustino, que foi diretor da então Escola Técnica Federal, de
1968 a 1972 - antes atuando como professor concursado e depois
orientador educacional - relata como a instituição viveu as
grandes transformações sociais. Detém-se especialmente nos
anos 60 vividos com muita intensidade, absorvendo as novas
realidades, daí alcançando a modernidade e se tornando um
estabelecimento que hoje é referência em todo o país. Quem
estudou, seja na Escola Industrial de Natal, na ETFRN ou no
CEFET, não importa, criou dentro de si um profundo sentimento
de afeição àquela comunidade escolar, dizia há pouco o
economista Alcyr Veras, meu contemporâneo dos anos 60. Fui
aluno em dois níveis: ginasial, na Escola Industrial de Natal
(1959/1962) e técnico de Mineração, na Escola Técnica
Federal do RN – ETFRN (1962/1966).
Lembro ter enfrentado, para ingressar, a concorrência de um verdadeiro
vestibular. Depois, a rígida disciplina, além dos
inspetores, a escola mantinha um grupo de alunos denominados
de “Vigilantes”, que se destacavam dos demais por uma
faixa no braço, a exemplo do que são usadas pelos “capitães”
dos times de futebol. Coincidência ou não, muitos dos alunos
seguiram, com êxito, a carreira militar, com alguns deles
chegando a altos postos nas forças armadas e ao comando-geral
da Polícia Militar do Estado - coronéis Waldomiro Fernandes,
Altamiro Galvão e Luis Pereira e o atual comandante coronel
Marcondes Rodrigues Pinheiro, este já da nova fase da
instituição. A disciplina vigente na escola certamente
contribuiu para que seus alunos se sentissem à vontade na
carreira militar.
No livro, João Faustino fala sobre a Revolução de 1964 - cujo
endurecimento ocorreu após o AI-5, de 13 de dezembro de 1968.
Os reflexos em nível local, envolvendo o meio estudantil,
coincidiram com as grandes transformações surgidas naquela década.
Quem viveu, viu: no campo musical, o surgimento do Rock´n
Roll, Beatles, Jovem Guarda, Bossa Nova, Novos Baianos. Nos
costumes, o surgimento da pílula anticoncepcional, movimento
feminista, Hippies – e teoria aldeia global. Na política, líderes
como John Kennedy e Juscelino Kubitschek e com este Brasília,
o líder pacifista Martin Luther King, a guerra fria e a
Revolução Cultural Chinesa. Em terra, a guerra do Vietnã.
No espaço, a chegada do homem à Lua. Uma década que mudou o
mundo. Para sempre.
|