|
Nesses
45 dias que restam da atual campanha visando às eleições do
dia 5 de outubro, os números passam a ter importância
fundamental. Desde os que identificam os candidatos a prefeito
e a vereador - somente em Natal são oito a prefeito e 267 a
vereador - até os segundos e minutos que serão destinados a
cada candidato na propaganda eleitoral no rádio e televisão,
passando pela iniciada contagem regressiva. Serão
precisamente 19 dias para os candidatos a prefeito e 20 dias
para os candidatos a vereador. A campanha na mídia eletrônica
começa amanhã, às 7h, no rádio e às 13h, na televisão.
Pelo calendário elaborado, caberá aos candidatos a vereador
abrir nesta terça-feira, 19 e encerrar, dia 2 de outubro, o
chamado "Palanque eletrônico".
A
partir de agora os partidos que lançaram candidatos, têm que
aceitar e se acostumar com a desigualdade - embora no período
que antecedeu a esta fase da campanha postulassem tratamento
igual pelos veículos de comunicação. Disciplinada pela
Resolução 22.718/08, do Tribunal Superior Eleitoral, as
regras - que obedecem a critérios que acabam confirmando a lógica
- vão redundar em candidato com pouco mais de um minuto para
apresentar as suas propostas e outro com dez. Para os
vereadores, o quadro é mais complicado pelo número de
legendas e coligações - 11 ao todo. Alguns irão aparecer
tendo ao fundo a fotografia do candidato a prefeito adversário.
Vai ser no mínimo engraçado, mas deverá começar a gerar
questionamentos e controvérsias.
Os
498.470 eleitores aptos a votar em Natal - 2.172.629 no Rio
Grande do Norte - poderão assistir os seus candidatos a
prefeito e vice-prefeito, nos programas a serem transmitidos
as segundas, quartas e sexta-feiras e a vereado r as terças,
quintas e sábados. No rádio, das 7h às 7h30 e das 12h às
12h30 e na televisão, das 13h às 13h30 e das 20h30 às 21h.
No primeiro turno, como é considerada essa fase, não haverá
propaganda eleitoral gratuita aos domingos. Os candidatos a
prefeito têm também 30 minutos diários em forma de inserções,
cabendo às emissoras veicular ao longo da programação,
entre as 8h e meia-noite. Na propaganda da televisão, um
detalhe: deverá ser utilizada a Linguagem Brasileira de
Sinais (Libras) ou os recursos de legenda na fala dos
candidatos.
Em
Natal, todo este cenário terá uma espectadora especial. A juíza
da 4ª Zona Eleitoral, Martha Danyelle, responsável pela
fiscalização da propaganda eleitoral e conseqüentemente das
ações que surgirem a partir de amanhã. Em entrevistas, a juíza
acresce novos números, dentro da brevidade com que pretende
julgar todas as representações envolvendo o horário
gratuito. O candidato que se sentir ofendi do, terá 24 horas
para entrar com a petição de direito de resposta. A defesa
do possível ofensor será de 24 horas e ela mesma garante que
dará decisão igualmente em 24 horas. Pode parecer exíguo,
mas se for calculado o tempo do candidato que ficará mais
tempo exposto na mídia - 10 minutos e 34 segundos - não
chegará sequer perto dessas 24 horas - por veículo - durante
os 45 dias de campanha, incluindo as inserções.
Percebe-se
a dinâmica que a juíza Martha Danyelle pretende dar a esse
processo, embora pela exigüidade do tempo de que irão dispor
os candidatos, o ideal - e menos agressivo aos olhos e ouvidos
do eleitor - seria a divulgação de programas e propostas. Até
porque - pelos nomes apresentados para prefeito e seus
apoiadores, qualquer fala mais agressiva, ao invés de
conquistar, irá tirar voto. E aumentar rejeição que é hoje
o terror dos políticos. É da lei: o candidato que veicular
propaganda que degrade ou ridicularize outros candi datos pode
perder o direito à veiculação do próximo programa.
Armado o palanque - definidos os tempos e os oradores -
caberá ao eleitor também exercer o papel de juiz. Para
julgar a postura dos que se apresentam candidatos. À reeleição,
avaliar se corresponderam à confiança, cumprindo as
promessas ou se estão entre os que o traíram imaginando que
o povo não tem memória e passa uma esponja nos fatos e fotos
como se apaga um traço de giz. Se na busca do mandato de
prefeito, verá se o candidato é coerente ou tenta, através
do oportunismo, o cargo a qualquer preço, mesmo tendo que
para tanto desdizer tudo o que ao longo dos anos transformou
em charme e marketing. Só o tempo - passado, presente e
futuro - dirá. E o tempo é o senhor desta eleição.
|