OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

A CAMINHO DO CENTENÁRIO

            Wellington Medeiros*

 

Desde Pitágoras - o matemático e filósofo grego, nascido no ano de 570 a.C, na ilha de Samos - a Numerologia estuda os números e suas influências sobre as pessoas. Ele codificou os conceitos básicos dessa ciência que tem sido amplamente usada e aperfeiçoada até os dias atuais. Tudo gira em torno de números. São os inteiros, fracionários, redondos, decimais, irracionais, negativos, primos e até os manipulados, estes últimos muito comuns em pesquisas eleitorais, daí muitas pessoas abominarem esse tipo de informação. Apesar do fim-de-semana com tempo bom, ocorreu uma chuva de pesquisas, com números os mais disparatados possíveis.

A Numerologia também é fartamente usada para estabelecimento de referências e até limitações. Muitos conhecem a afirmação de que até os sete anos de idade, uma criança escuta cem mil vezes a palavra "não". São aproximadamente nove "não" para cada "sim". Na área médica, uma informação com maior consistência: o coração, ao bater 72 vezes por minuto, em 24 horas bate mais de 100 mil vezes. Em um ano, quase 38 milhões de vezes. Apesar de a pulsação variar de acordo com a idade, o certo é que ele não pode parar um minuto sequer nos 2,5 bilhões de vezes em que pulsa numa pessoa de 70 anos.

Mas, um número chama ainda mais atenção e foi levantado por cientistas japoneses. Segundo eles, dez mil passos são tudo que uma pessoa precisa caminhar por dia para acabar com a vida sedentária. Cerca de 8 km. Garantem que um adulto caminha 110 passos por minuto, em média, a uma velocidade de 4,8 Km/ hora. Assim, em meia hora é possível completar 3.300 passos. E lembram que uma pessoa que dê menos de 5.000 passos por dia é sedentária. De 5.000 a 7.500 passos pouco ativa e de 7.500 a 10.000, moderadamente ativa. E muita ativa, quem supera os 12.500 passos/dia. Futuramente, um chip resolverá facilmente qualquer dúvida. 

Fui buscar esse preâmbulo para escrever sobre um evento que começa este mês e se estenderá até 23 de setembro do próximo ano: o Centenário do Cefet - antes Escola de Aprendizes Artífices, Escola Industrial de Natal, Escola Técnica Federal e, finalmente, Centro Federal de Educação Tecnológica. Dentre os eventos, o estabelecimento passou a inserir no programa "Cefet em Foco", apresentado às segundas-feiras, às 19 horas, na Tv Universitária, uma seqüência denominada "A caminho do centenário", colhendo testemunhos de quem já passou pelos bancos da escola e, dando prioridade aos que ali ingressaram no século passado.

Como um dos entrevistados - alguns trechos serão exibidos hoje, dia 1º - pude repetir que ao ingressar na então Escola Industrial, em 1959, isto é, no ano do cinqüentenário, dei o primeiro passo mais acertado na vida. Tanto que, ao enfrentar muitas outras caminhadas, sempre fiz questão de externar gratidão e reconhecimento pelos ensinamentos e a disciplina ali recebida. Ao atender o convite da Assessoria de Comunicação do Cefet, através de Arilene Lucena, além da entrevista, aproveitei para doar à memória da Escola, uma plaquete escrita em 1963 por um grupo de cinco alunos, sob o título "Como fazer uma excursão", orientada pelo professor José Bonifácio. Ali, estaria dando, inconscientemente, outro passo importante: o de passar grande parte da vida escrevendo para rádio, televisão, jornal. Ainda era aluno do curso técnico de Mineração - primeira turma - quando dei o primeiro passo no jornalismo, no "Jornal do Comércio", do majó Theodorico Bezerra.

O que consegui responder sobre a época - início dos anos 60 - será mostrado em parte hoje à noite e depois no site http://www.cefetrn.br/. Resta lembrar que dia 20 próximo, um sábado, abrindo as comemorações dos 99 anos, haverá no Clube CEPE da Petrobrás, na estrada de Jiqui, zona Sul de Natal, o III Encontro de Ex-alunos. Além da festa - que reúne anualmente cerca de 1.200 pessoas - há planos de se organizar um evento comemorativo no prédio da Av. Rio Branco, 743, que está sendo recuperado pelo Cefet-RN. Será a oportunidade para muitos matarem a saudade do lugar e reconhecer o empenho dos que lutaram pela restauração.

E todos devem ficar vigilantes para que se coíba o uso político do nome da escola. A preocupação surge depois que o espírito de "Severina da Esperança" baixou na atual campanha municipal em Natal, onde se vê arrotos de prestígio, dinheiro saindo pelo ladrão e promessas de obras já feitas. O cenário faz lembrar a saudosa "Embaixatriz da Inglaterra". Severina conseguia pelo menos fazer rir. Dizia os disparates, mas sempre respeitou algumas pessoas e instituições. E ela sabia que a escola - ao longo dos seus 99 anos - nunca se deixou envolver nessas coisas.

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 01.09.2008

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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