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Deve haver uma
explicação para aqueles - entre os quais estou incluído -
que têm fascínio pelo número 10. Não sei se vem da infância
e a festa que fazia ao tirar nota 10. Ou mais tarde, quando,
torcedor do ABC, fiquei sabendo que é o único time do Rio
Grande do Norte 10 vezes campeão - de 1932 a 1941. E do
Santos, de onde se projetou para o mundo o camisa 10 - Pelé.
Ou ainda dos 10 Mandamentos, atributos que Deus criou para um
mundo direito. Não é sem razão que atualmente um dos
bordões mais utilizados pela juventude "É 10".
E os matemáticos garantem que é um número completo, uma vez
que todos os demais correm em ciclos de 10.
No atual processo
eleitoral é chegado o dia em este número é visto com
naturalidade por quem está bem avaliado e com preocupação e
insegurança para quem ainda acredita em milagre. Desta vez de
forma regressiva, a exemplo do que ocorre no lançamento de
foguetes - outra confirmação para a importância desse número.
É que a partir de hoje, faltam apenas 10 dias de programa
eleitoral no rádio e televisão, apresentada em três dias da
semana para prefeito e outro tanto para vereador. Assim, pouco
mais de três semanas para que em Natal os oito candidatos a
prefeito e os 270 a vereador tentem convencer os 498.870
eleitores que são merecedores do voto.
Quem conhece pelo
menos o bê-á-bá de marketing sabe que qualquer postulante a
um desses cargos é igual a candidato a um emprego: tem que se
apresentar como santo, trabalhador e honesto. O "Guia
Eleitoral" é prova disso. Mesmo em desvantagem, nenhum
candidato aceita conselho, principalmente se for para
desistir. Já se disse que não adianta dar conselhos
racionais a uma pessoa em três situações: quando está
apaixonada, quando está bêbada ou quando é candidata. Por
mais que observe a rejeição do eleitor, insiste em pilotar o
barco furado fazendo água por todos os lados. Mas, existe um
decálogo de campanha que lista algumas verdades e dispensa a
presença de qualquer especialista no ramo.
Quem quiser botar
a carapuça que o faça. Ponto 1 - Pesquisa política virou
arma de campanha. Parece até horóscopo. Uns lêem, se
impressionam, mas não acreditam. Os candidatos aprenderam a
usá-las e deixar que sejam manipuladas. Já tem pesquisa até
para 2010. Encomendada pelo Palácio do Planalto - está no
Radar da VEJA, pág. 48 - mostra que 30% dos eleitores de Lula
topariam votar em candidato indicado por ele. Isto é, de 10,
apenas três. Ponto 2 - Algumas campanhas políticas são como
salsichas: é melhor não ver como elas são feitas. Ou
melhor, aguardar que a Justiça Eleitoral e o Ministério Público
descubram e punam os criminosos. Ponto 3 - Jamais vá para um
debate com um idiota. Os eleitores podem não perceber quem é
quem. Ponto 4 - Candidato e eleitor devem confiar no jogo político.
Mas nunca podem deixar de marcar a carta do baralho. Um bom
político nunca erra. Os erros se acontecem são por culpa da
assessoria. Ponto 5 - Candidato sempre aumenta as contas
para arrecadar mais dinheiro dos financiadores. E estes sempre
supervalorizam as doações para aumentar o cacife político.
Ainda: 6 - Todo
mundo fantasia os custos de campanha. E candidato sempre gasta
muito mais do que declara no Tribunal. Ponto 7 - Político
esperto tem duas características: primeiro, é igualzinho a
espiga de milho. Não tem lado. De qualquer jeito está de
frente. Para ele, se o importante for competir, é bom mesmo
ir praticar esporte. Ponto 8 - Eleição, para uns é
investimento: candidato vencedor fica com as sobras de
campanha, paga as contas e começa a preparar o caixa para a
próxima. O perdedor, nem as contas paga. Ponto 9 - Cada
campanha fortalece o velho ditado do Barão de Itararé: os
vivos serão sempre governados pelos mais vivos e, finalmente
o 10 - Consolo de eleitor, depois de morto é um só: ser
eternamente lembrado pelas "malas diretas", mesmo
sendo esquecido pelos "malas-candidatos".
Como o tema é
decálogo, aí estão dez nomes exóticos disputando os votos
de 2.172.629 norte-rio-grandenses no dia 5 próximo: Boboca
(Carnaúba dos Dantas); Colhega (Acari); Antônio
Macaco e Bebim (Jardim de Piranhas); Lalau
(Cruzeta); Doido (Jardim do Seridó); Formiga
Preta (Parelhas); Bola (São João do Sabugi); Burrego
e Nó cego (São José do Seridó). Natal também tem
os seus candidatos exóticos. Cito dois para completar uma dúzia,
até porque 12 é outro número emblemático. São eles: Cornelson
e Palhaço Macarrão. Todos na lista de candidatos
aptos do TRE-RN.
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