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A campanha
eleitoral no rádio e televisão que se encerra nessas próximas
72 horas transcorreu dentro da rotina. Candidatos com
apresentações sérias ou bem humoradas, outros com promessas
exageradas, mas alguns chamaram atenção pela presença além
do candidato, de algumas pessoas - familiares e amigos -
pedindo apoio. Alguns deles talvez não contem sequer com os
votos declarados em público. Mesmo assim contribuem para a
discussão sobre a transferência de votos, um tema colocado
na pauta por candidatos que - sem asas para alçar vôo próprio
- precisavam ser catapultados.
Quem acompanhou
de perto a campanha eleitoral em Natal e comparou com disputas
anteriores, certamente nunca viu candidato depender tanto do
fator transferência. Desde o dia 19 de agosto, quando começou
a propaganda gratuita no rádio e televisão - portanto, há
42 de um total de 45 dias - uma das campanhas à Prefeitura da
capital apresentou-se totalmente formatada em torno de apoios
e um deles de forma até certo ponto alucinada, fazendo
transparecer que assim tudo seria resolvido, como se fosse um
decreto ou cumprimento de uma sentença. O que se viu logo em
seguida foi o efeito contrário, numa demonstração
cristalina de que o eleitorado - daí o papel decisivo dos
meios de comunicação - percebeu que tentaram transformá-lo
em feudo, curral, massa de manobra.
Ressalte-se entre
esses meios de comunicação, a presença firme, isenta e
competente da Justiça Eleitoral. São filmes na televisão e
"spots" no rádio assinados pelo TSE, nos quais
chama o eleitor à responsabilidade e ressalta a importância
e o poder do voto consciente. Na mesma linha, neste domingo
(28) o Tribunal Regional Eleitoral, através da Corregedoria
Regional, com base no slogan "Voto é Cidadania",
inseriu um folder em todos os jornais de Natal e Mossoró,
intitulado "Guia do Eleitor" - eleições 2008.
Dentro da missão de "velar pela regularidade dos serviços
eleitorais, assegurando a correta aplicação dos princípios
e normas", orienta o eleitor para o dia 5 de outubro,
incluindo voto do analfabeto, garantias eleitorais, preferências
para votar e proibição do uso do telefone celular e crimes
eleitorais.
Claro que não
consta - e nem poderia constar - o tema que não envolve
apenas a campanha de Natal, mas em outras grandes cidades: a
transferência de voto. Embora seja uma ferramenta de
campanha, daí valer a pergunta: o que estariam fazendo os políticos
que não são candidatos, integrados nas campanhas? - Claro
que ajudando, mas em lugar nenhum do mundo esta expectativa
pode sobrepujar ao candidato. Essa história de que fulano ou
sicrano elege um poste, não cola. É menosprezar a inteligência
do eleitor. Zombar do seu poder de escolha e decisão. Apostar
que os menos instruídos não sabem que os programas sociais
ora existentes não são executados com dinheiro desse ou
daquele Executivo, mas com o seu próprio dinheiro, arrecadado
através da maior carga tributária imposta no mundo.
Por isso, o que
acontece quando um político de quem o eleitor gosta, indica
um candidato (a) de quem o eleitor não gosta? Primeiro, ele não
vota no candidato (a) indicado. Segundo, explica o porquê
disso ao político que indica (na verdade, é de quem ele
gosta). O eleitor diz mais ou menos o seguinte: "Olha, eu
gosto muito do senhor (a), até mesmo (quando é o caso) votei
no senhor (a) na última eleição, mas desse/dessa candidato
(a) eu não gosto. Portanto, me desculpe. Se fosse no senhor
(a) eu votava, mas sendo ele (ela), eu não voto. Depois
disso, o eleitor crava o voto naquele candidato (a) para o
qual ele tem realmente um motivo para votar. É sempre assim.
Na campanha que
termina daqui a algumas horas esse componente - transferência
de voto - fica para a história. Servirá de lição. E já
estava em tempo. Se os meios de comunicação - no caso rádio
e televisão - entenderam o processo de evolução das
campanhas eleitorais - é claro que alguns com
muita saudade de antigamente - se a Justiça Eleitoral
evoluiu no seu papel de conscientizar o eleitor, fica
evidenciado que alguns políticos precisam se reciclar. Ou
lembrar a frase lapidar: "Pode-se enganar a
alguns durante muito tempo; pode-se enganar a muitos durante
algum tempo; mas não se pode enganar a todos durante todo o
tempo".
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