OBSERVANDO

Wellington Medeiros (*)

welingtonmedeiros@bol.com.br 


 

O poder do voto

            Wellington Medeiros*

 

A campanha eleitoral no rádio e televisão que se encerra nessas próximas 72 horas transcorreu dentro da rotina. Candidatos com apresentações sérias ou bem humoradas, outros com promessas exageradas, mas alguns chamaram atenção pela presença além do candidato, de algumas pessoas - familiares e amigos - pedindo apoio. Alguns deles talvez não contem sequer com os votos declarados em público. Mesmo assim contribuem para a discussão sobre a transferência de votos, um tema colocado na pauta por candidatos que - sem asas para alçar vôo próprio - precisavam ser catapultados.

Quem acompanhou de perto a campanha eleitoral em Natal e comparou com disputas anteriores, certamente nunca viu candidato depender tanto do fator transferência. Desde o dia 19 de agosto, quando começou a propaganda gratuita no rádio e televisão - portanto, há 42 de um total de 45 dias - uma das campanhas à Prefeitura da capital apresentou-se totalmente formatada em torno de apoios e um deles de forma até certo ponto alucinada, fazendo transparecer que assim tudo seria resolvido, como se fosse um decreto ou cumprimento de uma sentença. O que se viu logo em seguida foi o efeito contrário, numa demonstração cristalina de que o eleitorado - daí o papel decisivo dos meios de comunicação - percebeu que tentaram transformá-lo em feudo, curral, massa de manobra.

Ressalte-se entre esses meios de comunicação, a presença firme, isenta e competente da Justiça Eleitoral. São filmes na televisão e "spots" no rádio assinados pelo TSE, nos quais chama o eleitor à responsabilidade e ressalta a importância e o poder do voto consciente. Na mesma linha, neste domingo (28) o Tribunal Regional Eleitoral, através da Corregedoria Regional, com base no slogan "Voto é Cidadania", inseriu um folder em todos os jornais de Natal e Mossoró, intitulado "Guia do Eleitor" - eleições 2008. Dentro da missão de "velar pela regularidade dos serviços eleitorais, assegurando a correta aplicação dos princípios e normas", orienta o eleitor para o dia 5 de outubro, incluindo voto do analfabeto, garantias eleitorais, preferências para votar e proibição do uso do telefone celular e crimes eleitorais.

 Claro que não consta - e nem poderia constar - o tema que não envolve apenas a campanha de Natal, mas em outras grandes cidades: a transferência de voto. Embora seja uma ferramenta de campanha, daí valer a pergunta: o que estariam fazendo os políticos que não são candidatos, integrados nas campanhas? - Claro que ajudando, mas em lugar nenhum do mundo esta expectativa pode sobrepujar ao candidato. Essa história de que fulano ou sicrano elege um poste, não cola. É menosprezar a inteligência do eleitor. Zombar do seu poder de escolha e decisão. Apostar que os menos instruídos não sabem que os programas sociais ora existentes não são executados com dinheiro desse ou daquele Executivo, mas com o seu próprio dinheiro, arrecadado através da maior carga tributária imposta no mundo.

Por isso, o que acontece quando um político de quem o eleitor gosta, indica um candidato (a) de quem o eleitor não gosta? Primeiro, ele não vota no candidato (a) indicado. Segundo, explica o porquê disso ao político que indica (na verdade, é de quem ele gosta). O eleitor diz mais ou menos o seguinte: "Olha, eu gosto muito do senhor (a), até mesmo (quando é o caso) votei no senhor (a) na última eleição, mas desse/dessa candidato (a) eu não gosto. Portanto, me desculpe. Se fosse no senhor (a) eu votava, mas sendo ele (ela), eu não voto. Depois disso, o eleitor crava o voto naquele candidato (a) para o qual ele tem realmente um motivo para votar. É sempre assim.

Na campanha que termina daqui a algumas horas esse componente - transferência de voto - fica para a história. Servirá de lição. E já estava em tempo. Se os meios de comunicação - no caso rádio e televisão - entenderam o processo de evolução das campanhas eleitorais - é claro que alguns com muita saudade de antigamente - se a Justiça Eleitoral evoluiu no seu papel de conscientizar o eleitor, fica evidenciado que alguns políticos precisam se reciclar. Ou lembrar a frase lapidar: "Pode-se enganar a alguns durante muito tempo; pode-se enganar a muitos durante algum tempo; mas não se pode enganar a todos durante todo o tempo".  

 

 

(*) Wellington Medeiros é Jornalista. 

. Artigo publicado inicialmente no Jornal de Hoje, edição de 29.09.2008

 

 

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Leia também a coluna Notícias, de Wellington Medeiros, no Site da Rede Tropical

 

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