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Vésperas da Copa do Mundo cabe lembrar uma referência
universal quando o sentido é estabelecer comparativos ou falar
de mudanças. É o Eclesiastes – um dos mais citados livros
bíblicos – ao decretar que para tudo há um momento e tempo
para cada coisa sob o céu. Agora é chegando o tempo do futebol
e daqui a duas semanas será tema obrigatório, com mais ritmo
ainda a partir do dia 15, à tarde, quando o Brasil estréia em
Johanesburgo, contra a Coréia do Norte. E já terá conhecido o
resultado da partida envolvendo os outros dois adversários da
fase inicial – Portugal e Costa do Marfim – programado para o
mesmo dia, pela manhã.
A seleção brasileira, que conquistou cinco das 18 copas
mundiais já realizadas desde 1930 – em 1958, 1962, 1970, 1994
e 2002 - vai tentar recuperar a hegemonia do futebol,
atualmente com a Itália, campeã da Copa de 2006, realizada na
Alemanha. A sorte está lançada e nas mãos de Dunga – que
sempre se foi um guerreiro em campo – e dos 23 brasileiros
convocados para a grande batalha que durante um mês atrairá as
atenções do mundo inteiro. Capitão do tetra assumiu a seleção
em julho de 2006, venceu a Copa América de 2007, Copa das
Confederações de 2009, classificou o Brasil para o Mundial em
primeiro lugar nas eliminatórias Sul.
Enquanto torço pela conquista do hexacampeonato, aproveito
para escalar a minha própria seleção, isto é, pinçar - depois
de alguns treinos – entre os artigos aqui publicados desde 22
de março de 2004, aqueles que possam sair da concentração,
isto é, dos arquivos, para vestir a camisa que os deixará
reunidos para sempre. Eles deverão ter o destino de centenas
de artigos publicados neste JH nos seus 12 anos de existência,
graças à facilidade de arquivamento que é dada pelo
computador. Na fase de treinamento para a formatação de um
livro-coletânea, conto com o incentivo do jornalista, escritor
e editor Walter Medeiros e a cobrança para que bote o time em
campo de João Batista Machado e Jorge Ivan Cascudo Rodrigues,
entre alguns amigos torcedores.
Foram os alfarrábios - como alguns gostam de denominar os
arquivos de antigamente - que me proporcionaram reviver
momentos desde os tempos de rádio e receber e-mails como o do
locutor José Carlos Oliveira, nos anos 70 apresentador do
Jornal de Integração Estadual, editado por mim e transmitido
cedinho através da rádio Cabugi. Ao ler um desses artigos,
retornou: “O tempo voa, mas não esquecemos passagens como
essas, que nos causam orgulho e nos dão satisfação intensa”.
José Carlos se referia, entre outras, ao café no Grande Hotel
do Majó Theodorico Bezerra, todas as manhãs após o jornal.
Ou voltar no tempo e escrever sobre professor Saturnino, meu
primeiro mestre de Português e pelo menos uma dezena artigos
sobre a Escola Industrial de Natal, prédio histórico
localizado na Avenida Rio Branco, então em ruínas, mas hoje,
felizmente, restaurado e transformado novamente em cartão
postal no centro da cidade. Nesses escritos, a mexida na
memória para, juntamente com o irmão Walter Medeiros lembrar
fatos da nossa infância-juventude, em diversos pontos deste
Nordeste, acompanhando a trajetória do ex-Combatente José
Firmino de Medeiros.
Destaque para Mata Grande, no sertão de Alagoas, que ele
disponibiliza no www.rnsites.com.br, no qual insere
semanalmente esses artigos e até mantém em arquivo grande
parte deles. Nesses seis anos pude lembrar alguns momentos
marcantes de pessoas ilustres - já no andar de cima - e com as
quais convivi: José Gobat, Tarcísio Maia, Aluízio Alves,
Theodorico Bezerra, Carlos Alberto, Celso da Silveira, Clarice
Palma, Gibson Antunes, Vanildo Nunes, Abmael Morais e
Francisco Macedo, que lembro através da crônica “Boa Noite
para Você” que escrevia e era apresentada por mim, às 18
horas, pela rádio Cabugi. Ou traçar ligeiros perfis de alguns
dos ícones que influenciaram diretamente na nossa caminhada
profissional: Agnelo Alves, Jorge Ivan, Lavoisier Maia e José
Agripino.
São esses artigos, que pretendo selecionar para lembrar essas
307 semanas nas quais contei com a tolerância de Marcos
Aurélio de Sá e a paciência de Roberto Canuto. Em todos pude
opinar – sem qualquer tipo de censura – também sobre temas da
atualidade, aí incluídos problemas de segurança, saúde,
trânsito, educação, droga e até algumas incursões em temas
políticos, certamente os mais complicados, o que dá razão ao
velho político que disse certo dia: “Política é como nuvem.
Você vê está de um jeito. Volta a olhar e já está de outro”. E
de volta ao Eclesiastes: “tempo de plantar e tempo de arrancar
o que se plantou; tempo de falar e tempo de calar”. |