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Há pouco mais de quatro anos, ao iniciar esta série de
artigos todas as segundas-feiras neste O Jornal de Hoje,
buscava nos arquivos e rebuscava na memória temas que
viessem a interessar ao leitor através do resgate de
fatos que se perdem no tempo e entre eles estavam
lembranças do que fui testemunha ocular ao atuar em
diferentes meios de comunicação. Depois do rádio,
jornal, assessorias e até publicidade, alguns que
marcaram o início da televisão comercial em Natal quase
que simultaneamente a partir de março de 1986, com a
chegada das TVs Ponta Negra, Cabugi, Tropical e Potengi.
Num desses escritos, publicado em 27 de junho de 2004
sob o título "O bloco da notícia", a pretexto de falar
em Manual de Redação, fazia referência à TV Tropical,
quando da sua entrada no ar como afiliada à Rede
Manchete, em 1987. Dizia: Jornalismo, como ainda ocorre
hoje, era a marca da Tropical. Quando da sua estréia,
por conta da repercussão que tinha na época o Jornal da
Manchete apresentado por Márcia Peltier, manter um bom
padrão também em nível local tornava-se quase uma
obsessão. Sob a direção de um jornalista e professor da
área, Jânio Vidal, que já conhecia o veículo, pois
dirigira a estatal TV Universitária, não foi difícil a
Tropical assumir lugar de destaque no telejornalismo
norte-rio-grandense.
Há 20 anos, portanto, como integrante da então rádio
Tropical - hoje CBN Natal, de onde saí há uma semana,
depois de ancorar diariamente nos intervalos das 6 às 9
horas - era instado na época a estrear no telejornalismo
para chefiar uma equipe também na sua maioria de
iniciantes, alguns até mesmo na profissão. Apesar dos
obstáculos naturais, o primeiro jornal local da TV
Tropical - "RN em Manchete" foi ao ar no dia 31 de
outubro de 1987. A partir daí, os primeiros meses foram
de vibração, tensão e estruturação, até que chega o
carnaval e neste ano com uma particularidade. Diante de
uma ação judicial impetrada pela TV Globo, a Manchete
estava impedida de cobrir os desfiles das escolas de
samba do Rio de Janeiro - sempre a vitrine nesse tipo de
cobertura.
Daí, a recomendação era para que as afiliadas
valorizassem os espaços a serem abertos com reportagens
locais. A Manchete, para quem se recorda, fez a
cobertura do carnaval em clubes do Rio de Janeiro e
outros estados, concursos de fantasia e editou/comentou
carnavais passados. Chegando às vezes a fazer com que os
menos avisados pensassem que se tratava de cobertura ao
vivo.
Aproveitando o entusiasmo da equipe, eu e Edílson Braga
- hoje editor do JH Primeira edição - elaboramos na
sexta feira o que chamamos de "pautão", e ao invés de
recorrermos a Manual, fizemos um Aviso mostrando
objetivamente, em cerca de 30 linhas, a importância e a
necessidade daquela ampla cobertura local. Orientamos
sobre o formato das reportagens que seriam pré-editadas
e inseridas nos intervalos, escalamos a equipe e ficamos
acompanhando com atenção, mas com certa apreensão. É que
na época não existia por aqui sequer o telefone celular.
Mas, para vibração nossa a cada intervalo lá estavam os
repórteres que fizeram parte dessa história: Kátia Del
Fabro, Thaísa Galvão, Priscila Wilmers Medeiros, Flávio
Rezende, Eliane Moreira, Neusa Farache, André Alves e
Geraldo Maia. O bloco fora às ruas cumprira com o dever
e na quarta-feira era um assunto só na cidade: a
cobertura do carnaval 1988 da TV Tropical havia dado um
banho na Cabugi/Globo. Pelo menos em nível local. E
tinha, sim, graças a dois fatores: vibração e decisão de
fazer o melhor, superando obstáculos, em clima de
liberdade e alto astral. O artigo, concluía afirmando
que dali sairá uma lição: nada como o trabalho de uma
equipe motivada.
Tudo isso para dizer que 20 anos depois - apesar de
incursões como comentarista ao longo desse período -
volto à redação, agora da afiliada da Rede Record. Novos
tempos que fiz questão de registrar e comparar durante
uma reunião da equipe. Dizia que pela idade me sentia
como um Brigadeiro no meio de jovens pilotos. Apesar das
muitas horas de vôo têm que pedir ajuda para taxiar um
avião de caça. Ao invés da máquina de datilografia com
teclado especial - letras grandes - um Editor de textos
- o TeleNet. No lugar do carbono ou da xérox,
impressoras obedecendo ao comando do editor e o
teleprompter lido direto num monitor da Operação.
O que aprendi em menos de uma semana foi com a
jornalista e editora Renata Bezerra que se prepara para
residir no exterior. Idade para ser minha neta. Neste
sábado, o primeiro vôo, com a ajuda de um co-piloto
experiente - o editor de imagens Hermes Monteiro - e
controladores que me ajudam a alçar mais um capítulo da
TV Tropical, que este ano atinge a maioridade: 21 anos
no ar. A caminho da liderança.
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