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Mercado
tem dificuldade para contratar deficientes O
Brasil tem 27 milhões de brasileiros deficientes. Esse número
equivale a 14,5% de toda a população. A cada mês, cerca de
10 mil pessoas adquirem algum tipo de deficiência,
principalmente, por conta de acidentes de trânsito e com arma
de fogo. Como poucos deles conseguem entrar no mercado de
trabalho, o governo criou um mecanismo para tentar resolver o
problema: cotas de deficientes nas empresas com mais de cem
funcionários. O problema, no entanto, não foi solucionado. O
dispositivo está em vigor desde 2004, no Decreto 5.296. A
legislação impõe às empresas com mais de cem empregados a
contratação de deficientes, em cotas que vão de 2% a 5% do
total. Tudo depende do número de funcionários. Já
são dois anos de vigência e muitas empresas ainda não
conseguiram adaptar o seu espaço físico para melhorar o
acesso aos deficientes. Mas o maior problema é o
preenchimento das cotas. Apesar do grande número de pessoas
que poderia ocupar essas vagas, as empresas encontram muitas
dificuldades na hora de contratar. A
Lei Orgânica de Assistência Social concede pensão mensal a
todos os deficientes. Esse é um dos principais problemas
encontrados pelas empresas, segundo a especialista em Direito
do Trabalho Lílian Dal Secchi, do escritório Maluly Jr.
Advogados. Para a advogada, as pessoas que recebem o benefício
preferem complementar a renda com atividades informais a
procurar um trabalho com registro em carteira, já que assim
perdem o direito à pensão. Outro
ponto de dificuldade é a pequena porcentagem de deficientes
que tem capacitação e especialização para ocupar as vagas
disponíveis no mercado. Dados da Delegacia Regional do
Trabalho de São Paulo comprovam a premissa. Apenas 33,5% dos
deficientes paulistas chegaram à 4ª série do ensino
fundamental. Desses, só 29,2% terminaram a 8ª série. Para
tentar resolver o problema, a deputada Maria Lúcia Amary
(PSDB-SP) diz que é preciso criar centros de capacitação
para os deficientes. Para concretizar a idéia, ela vai propor
a criação de cursos técnicos voltados para cada tipo de
deficiência. Maria Lúcia contou que conseguiu bons
resultados quando desenvolveu um projeto de inclusão digital
em braile, na época em que presidiu o Fundo Social de
Solidariedade de Sorocaba (SP). “Não adianta fazermos leis
que não poderão ser cumpridas. É preciso criar centros
formadores destes profissionais e depois fazer convênio com
as empresas, para que os deficientes já saiam do curso
empregados”, sugere. A
advogada concorda e diz que esses centros de capacitação
deveriam ser desenvolvidos por parceria entre Estado e
iniciativa privada. “O portador de necessidades especiais
deve ser valorizado pela sua competência e não pela sua
deficiência. O projeto adequado para inclusão do deficiente
deve ser fruto de um trabalho em equipe envolvendo governo e
iniciativa privada. Não basta criticar e punir”, analisa. A
multa fixada pelas Delegacias Regionais do Trabalho para cada
vaga não preenchida é de R$ 1,1 mil. Enquanto
há vagas O
primeiro passo para as empresas que ainda não conseguiram
preencher as cotas é firmar um Termo de Ajuste de Conduta
(TAC) com o Ministério Público. Assim, ganham um prazo para
cumprir a meta estabelecida. A
partir daí, a sugestão é que procurem escolas que ofereçam
cursos profissionalizantes para saber se têm alunos
deficientes. Se sim, oferecer a vaga. Fonte: Revista Consultor Jurídico, 19 de dezembro de 2006 (Autora: Lilian Matsuura)
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