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Um
dos momentos mais comentados da vida de Jesus Cristo é
o que está descrito no Evangelho de João, capítulo 2,
que trata das bodas de Cana da Galiléia. É a célebre
transformação da água em vinho. Muito se tem falado a
respeito do assunto. O ponto de maior discussão é o
que tenta definir se o vinho originado da água tinha álcool
ou não. Os que bebem encontram no episódio um
argumento a mais para continuar entornando seus copos
seja qual for o motivo. Os que não bebem batem firme na
tecla de que Jesus jamais produziria uma bebida que
alterasse – para pior – o estado de espírito das
pessoas. Essa polêmica vara os séculos até os dias
atuais. E tudo indica que não se chegará nunca a um
consenso, a uma conclusão fechada em torno do assunto.
Deixando de lado esse aspecto do caso – embora
acreditando que o vinho de Jesus não continha álcool
– queremos aqui abordar outro lado da questão.
O
versículo 10, do mesmo capítulo 2, nos traz a reação
do mestre-sala – também conhecido como mordomo,
organizador de festas, e que nos dias atuais seria
tratado como promotor de eventos – sobre a qualidade
do vinho que Jesus produzira a partir da água. Suas
palavras, ditas ao noivo, foram as seguintes: “Todos
costumam por primeiro o bom vinho e, quando já beberam
fartamente, servem o inferior; tu, porém, guardaste o
bom vinho até agora”. A admiração do tal promotor
de eventos residia no fato de que houve regularidade na
qualidade do vinho servido do início ao fim da festa.
É esse ponto que eu quero ressaltar na análise dos
acontecimentos que se passaram há mais de dois mil anos
atrás. O que vem de Jesus não tem variação, não tem
descontinuidade, não tem perda da qualidade – enfim,
não tem alteração. Jesus nos contempla com o que de
melhor Ele tem para nos dar – do início ao fim da
nossa vida.
Com
Jesus não tem essa história de gestos de segunda ou de
terceira categoria; de ações que se iniciam, mas não
se completam. Com Jesus o bom vinho é servido do início
ao fim, dando um sabor todo especial ao espetáculo da
vida – para os que crêem, é claro. Lamentavelmente
muitos se perdem na discussão estéril se o vinho
produzido por Jesus continha álcool ou não. Muitos
continuam perdendo um tempo precioso por não
descortinarem a sabedoria extraordinária de Jesus,
gastando tempo em polêmicas improdutivas, deixando de
alcançar a posição que Ele almeja para todos nós: o
de bons bebedores do seu vinho, de apreciadores do vinho
do seu amor. O vinho de Jesus não tem o álcool que o
mundo conhece, que embriaga, empobrece, embrutece a alma
humana. O vinho de Jesus se manifesta através de sua
presença constante em nossas vidas, impregnando nossas
almas do aromático buquê da sua alegria.
Ainda
segundo o relato bíblico, o noivo estaria em vias de
passar por momentos de extrema dificuldade. Em plena
festa o vinho acabou. E agora? O que fazer?
Supermercados naquele tempo não existiam.
Distribuidores de bebidas também não. Muito menos
lojas de conveniência. Além do mais, aonde encontrar,
àquela altura, vinho em quantidade e qualidade
suficiente para servir a tanta gente? A situação era
realmente vexaminosa. Tanto naquele tempo, como nos dias
atuais, é vergonhosa a situação de alguém que faz
uma festa e deixa a bebida se acabar no meio da comemoração.
No caso do noivo a situação era bem pior. Afinal, se
tratava de um casamento, evento carregado de todo o
simbolismo e ritualística da religião judaica. Com
certeza o noivo seria encarado pela família da noiva
– e pelos convidados – como um relapso, um
desastrado, no mínimo um imprevidente.
Certamente
haveria conseqüências, escândalo. Para sorte do moço
Jesus se fazia presente em sua vida. E seu toque, sua
misericórdia, seu inesgotável amor recolocou tudo no
lugar. Ao transformar a água – que em nada resolveria
a questão naquele momento – em vinho de qualidade,
Jesus alterou radicalmente o curso daquelas vidas. Do
noivo, da noiva, dos familiares de ambos – e até dos
convidados. Transformando maldição em bênção,
tristeza em alegria, decepção em realização. Até o
mestre-sala ficou satisfeitíssimo. Afinal, sua
clientela não teria do que reclamar – muito pelo
contrário. Com Jesus é assim. A turbulência pode até
vir. E com certeza virá. Mas, através do vinho do seu
amor, situações difíceis podem ser modificadas. O que
está esperando? Vamos experimentar o vinho de Jesus?
Tim, Tim.
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