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Temos
lido e ouvido muitas besteiras atualmente. Uma delas expõe
ocupantes de cargos públicos a uma classificação
entre técnicos e políticos. Por esse raciocínio, o
agente público só pode ser ou uma coisa ou outra. Para
mim, além de pobre, esse conceito é um desrespeito à
capacidade intelectual dos homens públicos. Fico também
perplexo como uma mera análise feita por certos
“expert’s” a respeito do desempenho, da aptidão
do homem público de administrar segundo um modo duro,
retilíneo, científico ou maleável, flexível, termina
como obra acabada, irrespondível. Cataloga-se um (o técnico),
como insensível, capaz de cometer verdadeiras aberrações
contra o social, enquanto o outro é bonachão, tem
experiência no contato com o povo ou é irresponsável
demais no gastar para atender os reclamos dos mais
necessitados.
O
primeiro administra seguindo uma rígida linha orçamentária,
enquanto o segundo tem uma capacidade maior de improvisação,
de “jogo de cintura” para cometer deslizes que
justifiquem a defesa do social. Isso tudo é uma
arrematada tolice. Aliás, no mundo político, tem
coisas distorcidas colocadas como retas, assuntos discutíveis
postos como incontestáveis – e grandes besteiras
aceitas como fato consumado. Essa história de ocupante
de cargo público ser técnico ou político é uma
delas. Primeiramente, porque conhecemos muitos homens de
grande conhecimento técnico se havendo muito bem como
políticos, enquanto grandes políticos se transformaram
em verdadeiras enciclopédias de conhecimentos técnicos,
dignos, portanto, de causar inveja tanto a uns quanto a
outros.
Na
verdade existem outros interesses por trás disso tudo.
E nesse afã, nessa ânsia de levar vantagem, pessoas são
envolvidas e manipuladas para que, através da veiculação
de conceitos enganosos, grupos e blocos políticos
possam concretizar desejos às vezes escusos, que nem
podem ser publicamente expostos. Quando um profissional
é catalogado como técnico é porque maquinações
outras querem expô-lo publicamente dessa forma, com o
intuito de enfraquecê-lo e cuspi-lo do poder. Para que?
Para abrir o cofre e promover ações lastreadas por
verbas que, com toda certeza, vão beneficiar o bolso de
alguém. Da mesma forma, quando se exige um técnico
para um cargo, em detrimento de um político, é com o
desejo de fechar a torneira que está forrando o bolso
de um concorrente.
E
qual a saída? Se este conceito é furado, enganoso,
qual o verdadeiro? O que o povo quer? O que o povo
deseja? Anos, décadas e séculos se passam e os nossos
governantes estão sempre na contra-mão das aspirações
do povo. O que se quer, na verdade, são pessoas que não
se desgarrem do “modus operandi” das ruas, das fábricas,
das casas mais humildes, dos bairros mais pobres, dos
rincões mais distantes. Agentes públicos que não
percam o contato com o pedido de socorro dos
violentados, dos desempregados, dos desdentados, dos que
não têm mais a quem apelar. Ficar apontando se este ou
aquele é técnico ou político é uma questão de
somenos importância, além de deixar o debate num plano
muito superficial. Ser humano, ter sentimentos, sofrer,
chorar, se contaminar, se contagiar com as dores dos
mais humildes – eis a questão. Vamos mudar este
conceito e tratar o assunto com mais profundidade?
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