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Tem
certos fatos na vida que se inserem no rol de seus
pensamentos, de suas preocupações e não saem mais. É
como se diz em linguagem popular: você fica inculcado
com alguma coisa. Por mais que você queira se desligar
daquele assunto ele não se desliga de você. E o Brasil
nos fornece farto material nesse sentido. De coisas que
acontecem e para as quais você não encontra explicação
– por mais que se esforce.
Aquilo fica lá no seu cérebro batendo,
latejando, incomodando, certamente em busca de uma
resposta, de uma solução. É luta! No Brasil, por
exemplo, os bancos têm lucros estratosféricos mesmo
com os demais integrantes do sistema produtivo
carregando nas costas taxas irrisórias de crescimento.
Tem explicação? O país inteiro cresce a taxas ridículas,
algo em torno de 3,5%, enquanto os bancos, anos após
anos, alcançam índices inimagináveis de crescimento e
expansão.
De
tanto ganhar dinheiro, de tanto lucrar, de tanto levar
vantagem, os bancos vêm se tornando numa inexpugnável
ilha de prosperidade, imunes aos solavancos que acodem,
de tempos em tempos, a nossa travada economia. O
Bradesco, por exemplo, de tanto ganhar dinheiro, e em
volumes cada vez mais inalcançavéis, é capaz de se
habilitar, sozinho, qualquer dia desses, a comprar o
Brasil inteiro. Por sinal, já é dono de um montão de
coisas por aqui. Ativos que adquire em função de seus
lucros astronômicos e em razão, também, da
fragilidade dos demais segmentos empresariais. Claro, se
um lado lucra demais e o outro lucra de menos, é lógico
que o segundo seja comprável pelo primeiro, sacou? Do
jeito que a coisa vai, é capaz de, a qualquer dia
desses, ser anunciado, com pompas e circunstâncias,
pelo Jornal Nacional: o Brasil agora é, é,
éééééééééééé do Bradescoooooooooo! Já
pensou?
Mas,
e o Açu, o que o Açu tem a ver com essa história?
Tem. E muito. Tenho conversado com lideranças da região,
pessoas com raízes fincadas em vários tipos de negócios
por lá, com tradições empresariais, familiares, políticas,
e a pergunta é uma só: porque o Açu não decola, não
progride, não alcança um patamar de desenvolvimento,
de crescimento condizente com a sua excelência geográfica,
com sua excelência hídrica, com sua excelência em
terras irrigáveis? De folclore, de boas lembranças do
passado, o Açu está cheio. A região quer crescer,
quer acontecer, quer se emancipar economicamente. Já
foi reconhecida como a terra dos poetas – e não
ganhou dinheiro com isso; já foi reconhecida como terra
de uma efervescente atividade artística – e não
ganhou dinheiro com isso; é reconhecida como detentora
de uma das melhores terras do mundo – e não ganha
dinheiro com isso. E agora?
Em
se tratando de agricultura irrigável, falam que o preço
da energia elétrica inviabiliza a atividade. O chamado
Projeto Baixo Açu, por sua vez, se debate em questões
burocráticas que dificultam a liberação dos títulos
de terras, fato que inviabiliza e encarece, também, a
negociação com o sistema financeiro, por parte dos
proprietários dos lotes, na busca por melhores condições
de crédito. A política de juros do governo voltada
para a atividade também é apontada como uma grande vilã
desse enredo. Outras questões, de menor porte,
certamente também abalam a consecução do projeto. E aí?
Será que estes problemas, por si só, inviabilizam,
travam, conseguem impedir o desenvolvimento de toda uma
região? Ou será que outros interesses, outras questões
se inserem também nesse contexto? Mistério... Cá no
meu canto, a pergunta não pára de martelar: porque o Açu
não decola?
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