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Certas
pessoas têm o condão de influenciar, de direcionar o
pensar, o saber e o agir da geração da qual fazem
parte. São os tão falados líderes, pessoas que atuam
como guias na vida de outras e que se transformam em
personagens marcantes durante o tempo em que vivem por
aqui. Trazem consigo, por conseguinte, a capacidade de
influenciar multidões e, inclusive, de pautar o viver
dos contemporâneos no movediço plano da tomada de
decisões. Para tanto, obrigatoriamente, precisam dar
exemplo. Todos nós conhecemos a história de líderes
que construíram e de outros que desconstruíram na vida
dos que aceitaram, para o bem ou para o mal, a sua influência.
Eli, personagem bíblico que viveu por volta do ano
1.050 a.C., foi também líder no seu tempo. Foi sumo
sacerdote e juiz de Israel durante quarenta anos, além
de mentor do profeta Samuel, a quem orientou e educou
ainda imberbe.
Do
ponto de vista histórico, podemos realçar duas
características em Eli, além do fato de ter atuado
como sacerdote e juiz: era muito gordo e pai de dois
filhos. Estes, Hofni e Finéias, apesar de ocuparem o
cargo de sacerdotes do templo, portanto auxiliares do
pai, eram conhecidos mais pela vida de devassidão que
levavam do que o zelo que adotavam na atividade
sacerdotal. O estranho na vida de Eli é o fato dele ter
se esmerado e colhido tanto êxito na educação e
orientação sacerdotal que imprimiu à vida de Samuel,
paralelamente ao desastre em que se constituiu o
desempenho dos seus dois filhos. Hofni e Finéias são o
que se costuma nominar, em linguagem de hoje, de dois
barras pesadas. Não temiam a Deus nem respeitavam os
homens, comportamento evidenciado pela prática de
imoralidades e de sacrilégios. Além do mais, para
azedar mais ainda o currículo de Eli, ressalte-se que
os dois eram sacerdotes do templo.
O
que se depreende da atuação de Eli como pai é que ele
foi omisso e conivente com as bandalheiras dos filhos.
Tal fato manchou o seu desempenho como líder de tal
forma que acarretou uma série de desastres políticos e
militares na vida da comunidade hebraica de então. Em
vista disso, Eli passou à história como um líder
marcado pela omissão e pela sonolência na administração
dos assuntos pessoais, públicos e espirituais. Aliada
à indolência, uma forte obesidade passou também a
marcar o seu perfil. Eli engordou – e muito.
Entretanto, o que quero ressaltar, daqui por diante, não
é somente o fato da gordura física ter se atrelado à
sua rotina de pai, juiz e sacerdote, mas também a evidência
de que a obesidade carnal aconteceu paralelamente à
gordura espiritual que o acometeu. Eli engordou de bênçãos,
inclusive materiais, sem tê-las repassado para benefício
dos seus e para benefício do povo.
Foi,
digamos assim, um homem de poder. Tanto do secular como
do espiritual. E que influência legou à sua geração?
E que benefício seu viver acarretou na vida do povo que
liderava? O que se sabe é que, no seu tempo, Israel
conheceu de perto a devassidão dos seus filhos e as
derrotas no campo político e militar. Apesar de ter
convivido com o poder e a fama, Eli tão somente
engordou. É o que acontece com as pessoas que apenas
recebem – e que não repassam nada para benefício dos
seus semelhantes. Eli foi uma liderança que se
beneficiou do poder, do conhecimento, das amizades que
colheu, do patrimônio que certamente amealhou... E o
que fez com tudo que recebeu? De proveitoso só se tem
conhecimento da orientação que deu ao profeta Samuel.
Em compensação, durante o seu mandato, Israel foi
derrotado pelos filisteus, com a agravante de ter
perdido, para os mesmos, a posse da Arca da Aliança.
É
de muita responsabilidade a posição de liderança que
venhamos a conquistar. Pois o líder, por menos que
queira, influencia, direciona, estabelece na vida dos
outros. Liderança, portanto, é uma posição para
aqueles que almejam, sobretudo, servir. Servir acima de
tudo – pondo em segundo lugar seus próprios
interesses. É fácil? Não, não é. Já o contrário
disso é o líder que engorda, amealhando tudo em favor
de si. Ganhando, se não a obesidade visível, física,
carnal, a gordura moral, psicológica, espiritual. E o
fim de Eli? Como terminou seus dias o líder de Israel?
Ao saber da derrota para os filisteus, da morte de seus
filhos no campo de batalha – e da perda da Arca da
Aliança – ficou tão chocado que caiu da cadeira,
quebrou o pescoço e morreu. Como se vê, no seu caso, o
peso da obesidade, das duas, foi fatal. Por sinal, a
quantas anda a sua liderança? Obesa, gorda, cheia de
vantagens só para você?
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