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Os
números dão atualmente uma musculatura extraordinária
às atividades que tratam de produtos direcionados ao
sexo. Tudo em volta dessa atividade cresce
ininterruptamente e impressiona mais – a cada dia. A
sofreguidão com que o sexo é encarado pelas gerações
atuais tem elevado às alturas as caixas registradoras
de fabricantes, hotéis, motéis, agências de viagem,
indústria farmacêutica e tudo, enfim, que se relaciona
ao assunto, fazendo as cifras grandiosas e os resultados
financeiros mais ainda. Só para se ter uma idéia –
segundo números da Revista Ultimato, em sua edição de
dezembro passado – “entre os dez medicamentos mais
vendidos atualmente quatro têm relação direta com o
sexo”. São eles o Viagra, o Cialis, o Yasmin e o
Diane 35. Isso sem se falar na camisinha, preservativo
que caiu no gosto popular, responsável, de acordo com a
propaganda dos fabricantes, por tornar o sexo seguro.
Entre
os remédios, o Viagra é o campeoníssimo do ranking,
sendo capaz, sozinho, por catapultar o faturamento do
laboratório que o fabrica para mais de cinco bilhões
de dólares anuais, só nos Estados Unidos. O Cialis,
por sua vez, abocanhou o terceiro lugar entre os dez
mais, sendo responsável, juntamente com o Viagra, pela
solução de problemas de ereção entre homens de idade
avançada. Já o público feminino, para despreocupar
seus momentos sexuais, se vale do Yasmin (o quinto mais
vendido) e do Diane 35, este o oitavo da lista. A função
dos dois produtos voltados para as mulheres é tornar
possível a relação sexual sem o perigo da concepção.
Essas quatro jóias da coroa da atividade farmacológica,
destinadas a solucionar questões que envolvem
diferentes aspectos do sexo, são responsáveis pelo
aumento, em bilhões e bilhões de dólares, do
faturamento que alegra os empresários do setor.
Outro
número que impressiona é o que diz respeito à
atividade hoteleira mais voltada para o sexo. A cada dia
aumenta o número de hotéis e motéis em cidades médias
e grandes, enquanto nas pequenas localidades já começam
a surgir os primeiros empreendimentos para dotá-las de
“equipamentos turísticos” capazes, por sua vez, de
torná-las parte do crescente mercado mundial do sexo. Só
no Japão, ainda segundo dados da Revista Ultimato, são
movimentados por ano em torno de 37 bilhões de dólares,
num segmento que alcançou o estratosférico patamar de
17 mil “hotéis do amor” no país – para uma
população de 99 milhões de japoneses. No trabalho
desenvolvido em torno do assunto, e com os dados
levantados, a Revista Ultimato indaga se “estaria
ocorrendo, em nossos dias, uma obsessão por sexo”, ou
algo parecido como “sem sexo não há salvação?”.
É claro que vários fatores têm contribuído para a
avassaladora onda sexual que varre nossos dias. Um
deles, por sinal de peso considerável, diz respeito ao
extraordinário avanço das práticas médicas e das
pesquisas no âmbito da indústria farmacêutica – com
suas pílulas, comprimidos e que tais criando um novo
horizonte para a atividade sexual. Outro importante
componente desse quadro é a liberalidade de costumes
nascida no pós-guerra e implementada com o advento da
“revolução hippie” nos anos 60. Outras razões
podem ser ainda apontadas, como a força da mídia, a
globalização, a inclusão da mulher no mercado do
trabalho, o surgimento do mercado gay... Mas todos esses
fatores são conseqüência dos anteriores. O inquestionável
mesmo, o indiscutível, é que sexo dá dinheiro. E a
cada dia essa verdade vai ficando mais palpável. O
lucro sempre crescente da atividade que o diga.
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