Públio José

26.02.2007

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SANGUE NOVO?

 

            Públio José 

 

Pelo que indicam os noticiários, os relatórios, os estudos, e pelo que se vê a olho nu, o Brasil está prestes a explodir. Queira Deus que não. Em toda parte os comentários, as conversas, as discussões se voltam para um tema só: a violência, a ocorrência de crimes hediondos, atos praticados com tamanha crueldade e truculência que nossos olhos custam a crer no que está se passando. Daí que a esperança de grande parcela dos brasileiros, na vinda de dias melhores, está depositada no Congresso Nacional, constituído, em boa parte, por novos deputados e novos senadores. Em vista disso, poderíamos até nomear de Congresso Novo esse agrupamento de novos parlamentares, casa de sangue renovado, com novas posturas, novas idéias, e gente lastreada realmente em novos valores. Seria maravilhoso se fosse verdade. Mas, lamentavelmente, tudo indica que esse ainda não será o congresso dos nossos sonhos.

Pelos primeiros levantamentos feitos por repórteres que cobrem os trabalhos na Câmara Federal, os novos deputados tendem a causar grandes decepções. Além de alguns já estarem se envolvendo em casos de roubo e corrução em seus estados de origem, conta-se entre os projetos apresentados pelos novos parlamentares, até o presente momento, pérolas como a instituição do Dia Nacional do Frevo e o estabelecimento de porte de arma para políticos. Como se vê, duas idéias realmente necessárias ao desenvolvimento do Brasil, carregadas de grande significado para a melhora da discussão dos atuais problemas que atingem a nação brasileira – para não dizer o contrário, é claro! Com todo respeito que merece o povo pernambucano, que tem no frevo o ícone maior entre as suas manifestações culturais e artísticas, o Brasil está precisando, no momento, de discutir questões bem mais sérias.

Já o outro projeto – o que estabelece o porte de arma para políticos – não poderia ser mais infeliz. No momento em que se descobre um mundão de mutretas, roubalheiras, mensalões, sanguessugas e que tais, no seio do congresso, além das já costumeiras vantagens adicionais que beneficiam nossos políticos – e que tanta revolta causam aos brasileiros, ainda vem um novo deputado querendo incorporar à rotina parlamentar mais um absurdo privilégio! O que terá motivado sua excelência a conceber tamanho monstrengo? Certamente o tal deputado se deparava, em sua área de influência, com uma realidade tão violenta e selvagem que esta o teria inspirado a propor iniciativa tão inconsistente e inoportuna. De todo modo, mesmo sendo, de início, inofensivo, o seu projeto dá amplas condições para se concluir ser ele mais um daqueles que em nada contribuirá para a melhoria do padrão de vida do brasileiro.

Outro número que em nada edifica a presença dos novos deputados federais dessa legislatura é a que diz respeito à lista de presença. Nada menos do que dez novos parlamentares não pisaram na Câmara Federal em nenhuma das sessões da casa até o início desta semana. E olhe que a Câmara viveu momentos importantíssimos nesse período, a começar com a eleição da própria Mesa Diretora. Estes assuntos, como se vê, não mereceram dos dez faltosos a menor atenção, o que nos leva a concluir que outros temas importantes certamente receberão de suas excelências alheamento semelhante ao agora praticado. De todo modo, alguém poderá comentar que ainda restam mais de 500 deputados nos quais depositar nossas esperanças. É verdade. Como é verdade também que a legislatura está apenas começando, restando tempo, portanto, para o amadurecimento dos novos parlamentares. Vamos sonhar?    

 

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