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Pelo
que indicam os noticiários, os relatórios, os estudos,
e pelo que se vê a olho nu, o Brasil está prestes a
explodir. Queira Deus que não. Em toda parte os comentários,
as conversas, as discussões se voltam para um tema só:
a violência, a ocorrência de crimes hediondos, atos
praticados com tamanha crueldade e truculência que
nossos olhos custam a crer no que está se passando. Daí
que a esperança de grande parcela dos brasileiros, na
vinda de dias melhores, está depositada no Congresso
Nacional, constituído, em boa parte, por novos
deputados e novos senadores. Em vista disso, poderíamos
até nomear de Congresso Novo esse agrupamento de novos
parlamentares, casa de sangue renovado, com novas
posturas, novas idéias, e gente lastreada realmente em
novos valores. Seria maravilhoso se fosse verdade. Mas,
lamentavelmente, tudo indica que esse ainda não será o
congresso dos nossos sonhos.
Pelos
primeiros levantamentos feitos por repórteres que
cobrem os trabalhos na Câmara Federal, os novos
deputados tendem a causar grandes decepções. Além de
alguns já estarem se envolvendo em casos de roubo e
corrução em seus estados de origem, conta-se entre os
projetos apresentados pelos novos parlamentares, até o
presente momento, pérolas como a instituição do Dia
Nacional do Frevo e o estabelecimento de porte de arma
para políticos. Como se vê, duas idéias realmente
necessárias ao desenvolvimento do Brasil, carregadas de
grande significado para a melhora da discussão dos
atuais problemas que atingem a nação brasileira –
para não dizer o contrário, é claro! Com todo
respeito que merece o povo pernambucano, que tem no
frevo o ícone maior entre as suas manifestações
culturais e artísticas, o Brasil está precisando, no
momento, de discutir questões bem mais sérias.
Já
o outro projeto – o que estabelece o porte de arma
para políticos – não poderia ser mais infeliz. No
momento em que se descobre um mundão de mutretas,
roubalheiras, mensalões, sanguessugas e que tais, no
seio do congresso, além das já costumeiras vantagens
adicionais que beneficiam nossos políticos – e que
tanta revolta causam aos brasileiros, ainda vem um novo
deputado querendo incorporar à rotina parlamentar mais
um absurdo privilégio! O que terá motivado sua excelência
a conceber tamanho monstrengo? Certamente o tal deputado
se deparava, em sua área de influência, com uma
realidade tão violenta e selvagem que esta o teria
inspirado a propor iniciativa tão inconsistente e
inoportuna. De todo modo, mesmo sendo, de início,
inofensivo, o seu projeto dá amplas condições para se
concluir ser ele mais um daqueles que em nada contribuirá
para a melhoria do padrão de vida do brasileiro.
Outro
número que em nada edifica a presença dos novos
deputados federais dessa legislatura é a que diz
respeito à lista de presença. Nada menos do que dez
novos parlamentares não pisaram na Câmara Federal em
nenhuma das sessões da casa até o início desta
semana. E olhe que a Câmara viveu momentos importantíssimos
nesse período, a começar com a eleição da própria
Mesa Diretora. Estes assuntos, como se vê, não
mereceram dos dez faltosos a menor atenção, o que nos
leva a concluir que outros temas importantes certamente
receberão de suas excelências alheamento semelhante ao
agora praticado. De todo modo, alguém poderá comentar
que ainda restam mais de 500 deputados nos quais
depositar nossas esperanças. É verdade. Como é
verdade também que a legislatura está apenas começando,
restando tempo, portanto, para o amadurecimento dos
novos parlamentares. Vamos sonhar?
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