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Quem
acompanha a programação de tv acostumou-se a admirar o
jornalista Pedro Bial. Sua postura, seu carisma, o
conhecimento que demonstra ter dos assuntos mais
variados, sua cultura. Tudo, enfim, leva a enxergarmos
nele um bom profissional. Entretanto, de uns certos
tempos pra cá, se posta Pedro Bial à frente da tv,
pilotando um tal de Big Brother Brasil, mais conhecido
por BBB, e promove um bom arranhão na sua imagem. Em
termos de criação televisiva, trata-se do mais pobre,
inútil, fútil e desnecessário programa que se tem notícia.
E tinha sido meu propósito, em respeito à figura de
Pedro Bial, não abordar em meus artigos nenhuma análise
a respeito do tal BBB. Além do mais, porque Pedro Bial
não me conhece, não sabe quem eu sou – e tudo que eu
vier a comentar a respeito do programa em nada vai
alterar o propósito da Tv Globo de veicular o
monstrengo que lhe rende tanto dinheiro.
Acontece
que os e-mail’s de protesto, os comentários
revoltosos contra o conteúdo do BBB que me estão sendo
enviados estão atingindo uma proporção tão volumosa,
em relação a qualquer outro assunto atual, que me leva
a ter de comentá-lo nesse espaço. Uma das mensagens,
por exemplo, espinafra a qualificação de heróis que
Pedro Bial deu aos participantes do programa, ao dizer
em determinada ocasião: “E agora vamos falar com os
nossos heróis”. A chibata internética bate: “Saudação
infeliz usada por Pedro Bial ao se dirigir aos
participantes do Big Brother Brasil. Se alguém se
encontrar com ele, pergunte-lhe, por favor, qual a
definição de herói no dicionário dele. No meu, herói
é uma coisa bem diferente. Herói é a Dra. Vanessa
Remy-Piccolo, jovem pediatra francesa de 28 anos de
idade. Ela abriu mão do seu conforto para servir na África,
como voluntária do programa Médicos Sem Fronteiras”.
E
continua o mensageiro: “Ela, a Dra. Vanessa, nos
relata que cansou de atender crianças que, com um ano
de idade, pesavam em torno de 3,6 kg, correspondente ao
peso de um recém-nascido. Herói que relata que muitas
mães chegam até ela dizendo que levaram os alimentos
doados para casa, mas que seus filhos parecem que
desaprenderam a se alimentar e se recusam a abrir a
boca. Herói é Martial Ledecq, voluntário do Médicos
Sem Fronteiras, que, arriscando a própria vida, atende,
em meio a bombardeios, os civis feridos num hospital de
Tebnine, sul do Líbano, vítimas de uma recente guerra
que, de tão nefasta, não poupou nem os observadores da
ONU, e nem mesmo as equipes de ajuda humanitária
internacional. Herói, meu caro Pedro Bial, é quem,
nestes dias desleais que vivemos, enxerga o sofrimento
alheio e se prontifica a amenizá-lo no que estiver ao
seu alcance”.
No
conceito do missivista, ele alinha também como heróis
“aqueles que abrem mão dos confortos pessoais em prol
do coletivo, aqueles plenos de uma vida na qual a paixão
sobrepuja a omissão. Herói é aquele que é solidário,
que partilha dons e bens... E não as “celebridades”
instantâneas do BBB. Heróis como Jacinta, enfermeira
do projeto Meio-Fio, do Médicos Sem Fronteiras. Heróis
como a médica Renata, como Altayr, Andréa, Eriedna, João,
que...” A lista de heróis é muito grande e em nada
se parece aos heróis do BBB. E nessa toada conclui:
“Quando um cara que já foi um dos mais brilhantes repórteres
do país vibra e discute namoricos, as intrigas e as
futilidades do BBB como se fossem os assuntos mais
importantes da atualidade, é sinal de que algo está
lamentavelmente errado. Eu prefiro acreditar que um
outro mundo é possível”. Fecha cortina. Será que
Bial se incomoda com isso?
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