|
Todos sabem que Jesus Cristo morreu
crucificado. Muitos conhecem particularidades e minúcias
da vida que viveu entre nós. Alguns até defendem teses
tecendo mil comentários a respeito do fenômeno que foi
Cristo. Em todos os momentos, principalmente no período
da Semana Santa, a humanidade, quase por inteiro,
celebra a sua morte. Encenações teatrais, filmes,
reuniões, retiros, conferências – enfim, os eventos mais
diversos marcam a paixão, a vida, o ministério e a morte
do homem que dividiu o tempo do mundo em dois tempos:
antes e depois Dele. Mas, nesse momento de tanto
emocionalismo, de tanta comoção, algumas perguntas
necessitam ser feitas: o que o sacrifício de Jesus na
cruz representa para nós? O conhecimento do gesto de
Jesus na cruz traz alguma diferença no nosso dia-a-dia?
A morte de Jesus nos fez pessoas diferentes ou
continuamos os mesmos?
A questão vital é se tomar
conhecimento de que nada do que Jesus fez foi gratuito.
O menor dos seus gestos teve uma significação especial.
E o evento no Monte do Calvário, com sua crucificação,
morte e ressurreição, foi o fato mais extraordinário já
acontecido até hoje na história do homem. Aliás, Jesus
só rivaliza com ele próprio. Pois outro acontecimento
que pode se ombrear em magnitude à sua morte e
ressurreição é o seu nascimento, único até hoje ocorrido
nas condições especiais em que ocorreu. Mas hoje o
assunto é a sua morte; do nascimento de Jesus cuidaremos
outro dia. O relato sobre como tudo se passou recai na
leitura do livro de Lucas, capítulo 23, a partir do
versículo 33. Ali, após ser crucificado, Jesus profere
uma das sentenças de maior significado prático para as
nossas vidas, ao dizer “Pai, perdoa-lhes, porque não
sabem o que fazem”.
Nunca, jamais – e em nenhum outro
momento da história humana – alguém manteve tamanha
lucidez diante de uma realidade de tanto desconforto
físico e tanta dor espiritual. Rejeitado, traído,
cuspido, execrado, Jesus exalou amor até os minutos
finais de sua vida. A humanidade O matava, porém Ele
intercedia junto ao Pai em favor dos homens. Este gesto
de Cristo deve ser seguido, praticado em todos os
momentos de nossa vida. Afinal, se não perdoarmos a quem
nos magoa, terminamos por transformar em acontecimento
inútil o sacrifício de Jesus na cruz. Esta é, portanto,
a primeira mensagem que Jesus nos envia da cruz –
daqueles dias até os dias de hoje: o perdoar em qualquer
circunstância. Pelo seu gesto, o perdão é uma
condicionante fundamental para um viver cristão, para
todos aqueles que se dizem seguidores de suas idéias e
detentores de seu legado espiritual.
Passemos agora ao versículo 46, do
mesmo capítulo 33 de Lucas. Ainda na cruz, já exalando
seus últimos minutos de vida, Jesus faz uma confissão
surpreendente – naquelas circunstâncias – de fidelidade
incondicional ao Pai, dizendo: “Pai, nas tuas mãos
entrego o meu espírito”. O que é o espírito? A vida, a
nossa essência, o nosso eu. Com a sua exclamação, Jesus
queria dizer que o seu espírito, a sua essência Ele só
entregaria ao Pai – e a mais ninguém. O que isso
significa? Comunhão total, absoluta com Deus, apesar do
extremo sofrimento que estava enfrentando. Com seu
gesto, Jesus nos remete à segunda mensagem da cruz:
mantermos a comunhão com Deus em qualquer situação,
mesmo nos momentos mais dolorosos. Será que é fácil?
Não, não é. Daí a necessidade de não apagarmos da mente
o cenário da cruz, local onde Jesus praticou comunhão e
fidelidade a Deus em condições extremamente adversas.
Ao lado de Jesus dois homens também
foram crucificados, conforme o mesmo Lucas capítulo 33,
versículo 43. Numa delas, um homem ruma para a morte. De
repente, de forma surpreendente, se volta para Jesus:
“Mestre, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”.
Momento terrível para ele descobrir que Jesus era
mestre, um título nobilíssimo naquele tempo, e
proprietário de um reino. Noutra cruz, o Filho de Deus,
também nas piores condições físicas, se volta para ele:
“Filho, ainda hoje estarás comigo no paraíso”. Estranho
momento para chamar um marginal de filho e lhe garantir
a salvação, não é verdade? Aí está, então, a terceira
mensagem da cruz: ao nos voltarmos para Jesus – seja
qual for a circunstância – Ele nos garante a salvação, a
morada com Ele no paraíso! Portanto, sem a aceitação e
vivência dessas três mensagens, de que serve, para nós,
o sacrifício de Jesus? Perdão, comunhão e salvação – a
verdadeira essência da cruz. Vamos vivê-la?
|