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LEIRIA
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O interesse para incluir Leiria no meu roteiro português
nasceu através de uma reportagem em periódico turístico
que casualmente li, arquivei e assegurei que na próxima
iria conhecê-la. Cidade histórica tradicional, natural
e “debutante” em modernidade, é um pouco de tudo
para os seus habitantes, os “leirenses” e para
turistas assim como eu, cheios de curiosidade e
entusiasmo para conhecê-la.
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Dista na direção norte de Lisboa, 2 horas
aproximadamente (de autobus, assim como chamam). Abrange
uma área geográfica bastante diversificada, permitindo
ao turista em seu primeiro contato, ascendendo para o
seu castelo pelas suas ladeiras tortuosas, vislumbrar o
rio Lis, serras, vales e um complexo diversificado
arquitetônico único. O rio Lis que o contorna,
desloca-se serpenteando por suas ruas, pelo seu maciço
calcário e desembocando suavemente suas águas pelo Atlântico.
No meu roteiro cheguei ao topo do castelo por
ruas em pedras, adquiri o meu “ticket” e tive acesso
não apenas a uma beleza singular da arquitetura
medieval por ele representado, mas também ao seu museu,
sua história e o acervo bélico e domiciliar do homem,
que neste sitio habitou há milênios.
Em 1135, D. Afonso Henrique iniciou a sua construção
para a defesa das terras ao norte já conquistadas aos
mouros. Suas terras foram ocupadas antes pelos romanos e
visigodos e subseqüentemente pelos mouros. No interior
do castelo foi erguida também uma igreja a mando de D.
Afonso Henrique. Foi destruída e posteriormente erguida
a igreja Nossa Senhora da Pena. Após a construção do
castelo começou a ser formado um aglomerado urbano
expandindo-se na direção sul. Tornou-se um centro
importante de minérios, madeiras, produtos alimentares
e artesanais. Foi a primeira cidade portuguesa onde se
registrou em 1411 o fabrico do papel, para qual D. João
I mandou instalar moinhos e a primeira tipografia em
Portugal. Apenas em 1545, no tempo de D. João III,
Leiria foi elevada à categoria de cidade.
A influência da igreja católica sempre foi
muito marcante ao povo português e Leiria não foge da
regra. Destacaríamos aqui neste processo histórico a
igreja S. Francisco (século VIV), em cujas obras de
recuperação foram descobertas importantes pinturas
murais do século XV; a Sé Catedral (século XVI) que
sucedeu a igreja de S. Pedro. A igreja da Misericórdia
(século XVI), o convento e igreja de Santo Agostinho (século
XVI-XVIII), cuja miscelânea de estilos é o reflexo do
seu longo período construtivo. Finalmente a igreja do
Espírito Santo (século XVIII).
Dos edifícios civis destacaria entre outros os
marcantes solares barrocos, dos ataídes no terreiro,
dos verdes na rua Tenente Valadim, e o mercado de
Santana, hoje um vibrante centro cultural.
O grande “boom” na pacata e histórica Leiria
surgiu nos meados do século XX quando a mesma cresceu
em superfície e população residente. Infelizmente
parece nos dias atuais que tudo está em obras: centro,
arredores e o caminho do Lis. A renovação urbana,
segundo dados colhidos, transformou sua paisagem. Novos
bairros residenciais, industriais (plásticos, cimento,
serrações. mobiliário, moagem, etc.). A preocupação
como em toda a Europa nos dias atuais é a preservação
do meio ambiente: tratamento das margens, recuperação
de obras hidráulicas e espaços verdes (jardim Luís de
Camões e Parque da Cidade) além de cinco novas pontes
pedonais.
Destacaria nos dias atuais a visitação da praça
Rodrigues Lobo com seus logradouros, depósitos de
materiais para reciclagem do lixo em cores distintas, além
dos seus sanitários públicos super higienizados,
exemplo para qualquer cidade do mundo.
Culturalmente é uma cidade vibrante e destacaria
as festas da cidade em maio, celebração em 22 deste e
feriado municipal, Festival de Música (junho), festas
em agosto em homenagem a Nossa Senhora da Encarnação,
padroeira da cidade.
Seus festivais gastronômicos são famosos
durante todo o ano, não apenas na cidade, mas nos
arredores também. O prato típico original é a Morcela
de Arroz, mas muitos outros já se tornaram habituais.
As fritadas de carne de porco, as migas de hortaliça
com feijão frade e arroz, o leitão à boa vista. No
restaurante do Seu Pinto, convém testar algumas
especialidades, no centro, às margens do Lis, um lugar
super agradável.
No seu próximo roteiro a capital lisboeta, fuja
um dia rapidinho e conheça este pedaço medieval e
moderno desta cidade portuguesa e volte à noite para
jantar no Chiado. Boa sorte!
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Tarcísio Gurgel é médico
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