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LISBOA
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A
capital portuguesa sempre foi e será, no meu
ponto de vista, o portão de entrada dos
brasileiros em visita ao continente Europeu. As
justificativas são diversas, mas basicamente
destaco a hospitalidade adquirida através dos
fortes laços históricos, sócio-econômicos e
culturais bilateralmente existentes. O idioma é
fator importante e lá, apesar do sotaque e lingüística
distintos, as expressões brasileiras são
assimiladas pela “globalização novelística”,
tornando a integração um processo bastante
natural. |
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| Tarcísio
Gurgel e o Embaixador Paes de Andrade |
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Amigos também são fatores preponderantes no
roteiro; e em Lisboa, especialmente, tive a satisfação
de contar com o apoio do Dr. Vital Lopes Beserra,
dentista potiguar, ainda mais pelo seu perfil de cidadão
do mundo e um excelente anfitrião.
Tendo chegado à capital portuguesa no dia da
nossa Independência, providências foram tomadas pelo
meu anfitrião para comparecer em sua companhia à recepção
na residência do embaixador do Brasil em Portugal, Dr.
Paes de Andrade. Foi imensa a alegria de rever amigos
comuns, conhecer novos, tudo no padrão da embaixada:
categoria, blt, mpb e “beautiful people”. Grato ao
Vital pelo bom começo daquelas férias.
Tinha duas opções de permanência: Lisboa, Av.
Almirante Reis, Bairro do Areeiro, centro. A segunda
seria atravessar o Tejo pela ponte 25 de Abril e
permanecer num condomínio de luxo em Arueira. Optei “half and half” (meio a
meio). No
condomínio obviamente desaceleraria meu ritmo frenético
de turista ávido para conhecer e aproveitar o máximo
do tempo dispossível.
Charmosa pela sua própria natureza, após
integrar a comunidade da União Européia - E.U (Europe
Union). Em 1986 passou a apresentar um modelo diferente
de viver e de se apresentar.
Pensar em Lisboa nos tempos atuais é até
impactante, quando comparada com a minha primeira
viagem, em maio de 1977, em primeiro contato com a clássica,
histórica, conservadora, melancólica, azulejada
capital do saudosíssimo Cântico dos Fados.
Tudo isto ainda existe, mas sua principal
característica é comportamental, “frenesi” mesmo
de modernidade, cujo marco foi a preparação da cidade
para a expo 1998. É impossível esquecer aquela
desbotada imagem dos casarios portugueses azulejados de
origem moura. São gritantes os efeitos pós-entrada do
país na União Européia. A revolução não foi apenas
urbana, mas mudou o jeito do povo, principalmente dos
jovens. A mulher portuguesa dos tempos atuais é
praticamente idêntica a de Estocolmo ou Paris, cidades
consideradas modernistas “da moda” mesmo. A vida
noturna deixou o sentido tradicional das inesquecíveis
casas e restaurantes de Fado para dar lugar aos “disco
clubs”, inferninhos, e a música internacional, que
dominam esta globalização. A idéia dos investimentos
era tornar Lisboa um padrão de desenvolvimento idêntico
aos seus parceiros mais ricos e transformar a cidade
numa capital européia de verdade.
Os deteriorados prédios da avenida da Liberdade,
principal via de acesso ao centro da cidade, estão
dando lugar a algumas altas torres de vidro, preservando
as antigas fachadas, transformado-as em um grande
portal. Como exemplo, o tradicional Cine Éden,
transformado em teatro e hotelaria.
O Chiado, quase destruído no grande incêndio de
1988, renasceu das cinzas e hoje é um lugar chique,
bastante freqüentado não apenas pelos lisboetas, mas
turistas de todo o mundo. A rua Garret, no passado ponto
passagem de escritores como Fernando Pessoa, Eça de
Queiroz e Mário de Sá Carneiro; o bar “A
Brasileirinha”, com grifes em volta como Marks e
Versace, e as famosas livrarias como a Bertrano e a Sá
da Costa, ricas de opções diversas.
O campeão desta revitalização foi o Museu de
Chiado (projeto do famoso arquiteto Jean Michel). Foi
uma adaptação do que restou da antiga construção
medieval do Convento São Francisco, que foi
transformado em um dos museus mais modernos do mundo.
Às margens do Tejo, imediações da gigantesca
ponte 25 de Abril, os antigos galpões do entreposto de
Santos foram transformados em casas noturnas,
restaurantes, bares, discotecas, butiques e academias de
ginástica, sem deixar de falar no shopping Vasco da
Gama e a área da Feira Internacional de Lisboa.
Além de ser uma cidade charmosa pela sua própria
natureza, passou a ter um progresso ímpar perante várias
outras cidades. A modernidade não a agrediu como
cidade, pois hoje há uma harmonia do antigo e do novo.
Oportuno também destacar que o conservadorismo marcante
do povo também nos tempos atuais se adapta a novas
concepções comportamentais.
Preservo rever passeios nostálgicos
anteriormente percorridos e jamais deixaria de rever o
castelo de São Jorge, praça do Rossio, rua da Alfândega,
Terreiro do Passo, bairros do Chiado e Alto
(especificamente à noite), do cais do Sodré, jamais
perder um roteiro deslumbrante de “comboio moderno”
por Cascais e Estoril, parando, jogando no famoso
cassino e tomando uma geladíssima “Sagres” na orla,
qualquer lugar por ali é lindo e seguro.
Não perder no roteiro os bairros de Alfama e
Madragoa. Alfama é ímpar. É uma área de forte influência
árabe: labirinto de ruas tortuosas e estreitas, cheias
de becos, sacadas, escadinhas para regular o desnível.
Na dependência do tempo do turista, destacaria ainda a
Torre de Belém, de onde partiram as naus que descobriam
o Brasil; o Mosteiro dos Jerônimos; um pastelzinho nos
arredores; o Palácio do Comércio; o Palácio da Ajuda;
e o bonito monumento padrão dos descobrimentos.
Dentre seus museus destacaria especialmente o da Fundação
Carlos Falustre Gulbenkian. Museu militar, arquivo
nacional da Torre do Tombo e o Museu dos Coches.
Na
sua próxima viagem, inclua a bonita, histórica,
moderna e vibrante Lisboa. Tenho certeza de que será um
bom começo.
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Recepção
na residência do Embaixador |
Feira
Internacional de Lisboa |
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Tarcísio Gurgel é médico
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