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PARIS
Uma
cidade sempre surpreendente
Minha curiosidade para rever Paris levou-me a
pretensões distintas, mas amadurecidas e objetivas
quando comparadas à primeira vez que a visitei, na
primavera de 1977. Naquele período fui hóspede de um
amigo jornalista francês, Bernard Dutant, na Rue de
Braque, imediações do Centro Pompidou. Como companhias
no roteiro, tinha as natalenses Maria das Graças
Farias, Zilah Nóbrega e a residente em Paris e
professora universitária Ana Maria Cortez. Foram
momentos inesquecíveis, destacando o passeio ao Mercado
das Pulgas e o jantar em um dos restaurantes da rede La
Coupole.
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Na
minha última viagem à Cidade Luz, outono de
2006, tive como roteirista e companhia a sobrinha
Maria Luisa Távora, professora de Artes da
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela é
destaque no Brasil como uma das maiores
conhecedoras de gravura, e encontra-se
complementando a sua pesquisa sobre o tema na
França, pelo Ministério da Educação.
Partindo do princípio da escassez do tempo
e de que acredito que caminhando é a melhor
maneira de conhecer, decidimos assim proceder
durante o nosso café da manhã, bem cedo, no
hotel do bairro La Republic. Em alguns trechos,
optamos por fazer um passeio clássico pelo Rio
Sena no “bateau Mouche” e a utilização da
fantástica rede entrelaçada do metrô. |

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Incluindo no roteiro o Rio Sena é possível
segui-lo como uma passarela na direção da Catedral de
Notre Dame, marco da arquitetura gótica-medieval da
cidade. Trata-se de um complexo magnífico de construção
e arte, marcado não apenas pela sua estrutura física,
mas também pelos seus suntuosos vitrais, colunas e as
externas gárculas e arcobrantes, utilizados para reforçar
sua construção, que demorou dois séculos para ser
concluída em 1334. Sem duvida a arquitetura está em
primeiro lugar, prodigiosamente audaciosa e inventiva.
Notre Dame é ampla, suas colunas são grandes, não são
pesadas. A abobada se eleva, não é esmagadora. Aí está
o primeiro milagre de Notre Dame: a harmonia, o equilíbrio,
a proporção. A genialidade dos arquitetos exprimiu a
verdade da fé cristã.
Na
praça em frente à Catedral está o “Point Zero”,
que é o marco a partir do qual se medem todas as distâncias
na França. Sob essa praça está ainda a recém
descoberta cripta arqueológica: ruínas romanas com
vestígios de uma casa de Lutécia, aldeia dos Parisii,
povo que habitou a ilha há mais de dois mil anos. Ainda
no trajeto destacamos o Museu D’Orsai, a Île
Saint-Louis e o Hotel de Ville, o belo prédio que serve
como Prefeitura. Todos os grandes monumentos e a
urbanização parisiense são delirantemente ostensivos,
não tenho limitação a dizer que gosto e digo sem
nenhum pudor. Uma paradinha para saborear os famosos
sorvetes Bertillon é imperdível, mesmo enfrentando
filas.
O passeio no “bateau Mouch” considero
indispensável, devido a sua praticidade no
deslocamento, a visão dos principais monumentos,
podendo ser romântico e nas opções noturnas com
direito a jantares musicais à luz de velas, vinhos e os
olhos brilhando de emoções. Uma outra alternativa para
passeios é alugar bicicletas, que podem ser localizadas
nas lojas “Paris Bike”, Rue de Guerre 83, ou
“Paris à Velo C’Est Synpa, Rue Jacques Coeur, 9.
Paris
é a cidade ideal para que gosta de caminhar, como eu;
nada fica longe demais. A segurança é grande e
aparentemente compulsiva por parte dos governantes das
principais cidades européias. É impossível se perder.
A cidade é ingrata para quem tem carro devido ao
transito, que é um dos mais caóticos da Europa.
Positiva sim é sua vasta complexa e eficiente rede de
metrô: segurança meio duvidosa, praticidade, conforto
e rapidez. Às vezes sofremos um pouco nas chamadas
“correspondance” (estações para mudança de direção).
A estação de metrô Gare du Nord funciona como a mais
congestionada, transformando-se em um formigueiro humano
frenético permanente.
A
região de Montemartre é a
primeira que se destaca longe da faixa mais
central, imediações do Sena. Foi bastante freqüentada
por artistas, escritores e poetas que corriam atrás dos
prazeres proporcionados por seus cabarés, bordéis e
teatros de revista. Aos poucos a região foi se
descaracterizando, sendo abandonada por seus freqüentadores
habituais. Na região destacaria o famoso Moulin Rouge,
que contiua apresentando shows, porém em uma roupagem
mais moderna e os pintores que ocupam muito daquele espaço
e atraem turistas do mundo interiro.
Na
Place du Tertre também encontramos turistas de todo o
mundo observando o trabalho dos pintores ao ar livre. O
único ponto negativo é que ficam extremamente
agressivos e irritados quando detectam que estão sendo
fotografados. O principal ponto de destaque é a Igreja
Sacré-Cover. Concedida em estilo Romano-Bizantino, foi
iniciada em 1875 e consagrada em 1919, com o fim da
Primeira Grande Guerra. Em virtude da sua localização,
no topo de uma colina, a imponente igreja pode ser vista
de quase toda a cidade. Sua cúpula oval é o segundo
ponto mais alto de Paris, atrás apenas da Torre Eiffel.
Havia
reservado um espaço de tempo para conhecer o Fórum dês
Halles, visto ter arquivado uma matéria interessante e
assim me propus incluí-lo neste roteiro. Trata-se de um
shopping arquitetonicamente único no mundo. Tudo parece
uma suave cascata, deslizando em branco e ferro as suas
águas ao chão. Após
esta bonito percurso nos dirigimos a Praça
Etoile, o centro da Cidade Luz e seguimos pela bonita
Champs Elysée, a avenida das lojas de grifes famosas
mundialmente e que ditam moda para o mundo. Na Place de
La Concorde foi instalada a guilhotina que fez rolar
para registro histórico as mais nobres cabeças da
aristrocracia francesa na época da sua revolução.
O
Louvre, erguido incrivelmente em 1190 para ser a
fortaleza de proteção da cidade, é considerado o
melhor e mais visitado museu do mundo. Sua afluência
foi ampliada pela construção exótica da sua pirâmide e do seu
sub-solo, projeto do famoso e polêmico arquiteto
naturalizado americano Ieoh Ming Pei, também após o
livro e filme de Dan Brown, “o Código Da Vinci”.
Pessoalmente sempre acreditei que a pirâmide do Louvre
pode ser uma estrutura inútil, mas as galerias que saem
dela só merecem elogios, pelo conteúdo dos seus
acervos e modernidade arquitetônica. Ao todo o Luvre reúne
cerca de trezentas mil obras de arte, sendo a Monalisa -
“Gioconda” - de Leonardo Da Vinci a mais visitada e
a mais segura do mundo.
Imperdível
também nesse percurso o Arco do Triunfo e a visita ao
Centro Nacional de Arte e Cultura George Pompidou, no
bairro La Défense, o mais moderno bairro parisiense. Não
deixar de observar atentamente os edifícios da área,
que exibem as diversas fases da arquitetura francesa e também a influência
de Carlos Niemeyer.
É
importante destacar a ampla diversidade na arte,
cultura, intelectualidade, diversão, entretenimento,
alta tecnologia da Cidade Luz, a Meca da gastronomia e
dos odores, vinhos dignos dos deuses, compras, vida
noturna repleta de luzes, cores, alegria e o charme das
suas mulheres, desfilantes da Champs Elisée. Seu
segredo é um só: o respeito pelo que existiu, existe e
existirá, em uma perfeita harmonia do passado ao
moderno, sábia conjugação que encanta qualquer
visitante.
Paris
é como uma pessoa, tem alma própria, humor próprio e
sempre está a surpreender. É conferir ou reconferir,
apaixonar-se, perder-se mesmo.
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Tarcísio Gurgel é médico
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