Natal, 10 de junho de 2016

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REFLEXÃO 


Dr. Luiz Moura: uma reflexão, um estímulo, um desafio aos bons médicos

 

A Medicina amanhece triste nesta quarta-feira, 8 de junho de 2016. A verdadeira Medicina, é à qual me refiro. A Medicina de médicos honrados. A Medicina de médicos decentes. A Medicina de médicos honestos. A Medicina de médicos dedicados. A Medicina de médicos sérios. A Medicina de médicos corretos. A Medicina de médicos íntegros. A Medicina de médicos missionários. Esta Medicina amanhece triste nesta quarta-feira. Triste, porque hoje será sepultado o corpo do Dr. Luiz Moura, o maior expoente da Auto-hemoterapia, a técnica que trata e cura doenças através da retirada de sangue da veia e aplicação imediata no músculo.

Que estes adjetivos, lamentavelmente aplicáveis apenas a uma parte dos médicos, sirvam de reflexão e estímulo em meio aos profissionais de Medicina. Reflexão, pois muitos motivos estranhos ao verdadeiro tratamento dos doentes influem para que a Medicina seja desviada da sua verdadeira função social, da sagrada condição de arte de curar. E estímulo, para que outros médicos sigam o exemplo do Dr. Luiz Moura, que dedicou sua vida ao enfrentamento do sofrimento dos seus pacientes. Cada médico que seguir o exemplo do Dr. Luiz Moura estará contribuindo imensamente para tornar o mundo melhor.

Luiz Fernando Sarmento bradou: “Viva Dr. Luiz Moura!”. Que esse brado seja repetido milhões de vezes, como declaração de luta pela causa da auto-hemoterapia, a favor dos doentes que são humilhados, massacrados, relegados, abandonados pelas ditas autoridades médicas, que dificultam o uso desta técnica. Assim faremos com que o Dr. Luiz Moura esteja sempre à frente da luta pela auto-hemoterapia, com as mensagens que imortalizou. Que a sua ida para a nova morada estimule as pesquisas de todas as suas ideias, para comprovar a eficácia da auto-hemoterapia e vencer a arrogância e o autoritarismo dos que criam dificuldades para o tratamento alternativo e o resgate da saúde de todos os cidadãos. 

http://www.rnsites.com.br/imunoterapia.htm

 

08.06.2016


 

 

No tempo do CinemaScope

 

Uma vida bem própria de uma época na qual a televisão era preto e branco, o rádio tinha novelas, as radiolas com lps e compactos movimentavam as lojas de discos de vinil, e os jornais eram apregoados nas ruas com jornaleiros gritando as manchetes. Assim seguiam os anos sessenta do século XX, onde na tela dos cinemas populares algumas das grandes atrações eram Tarzan, Hércules, Maciste, Bem Hur, Durango Kid, Búfalo Bill e Frankenstein, entre muitos outros.

Naquela época as crianças e os jovens tinham hora prá sair e chegar e obedeciam aos pais, avós e até irmãos e primos, praticando uma espécie de ritual no qual matar era coisa dos filmes de Far West. Honestidade era obrigação inarredável, respeito aos colegas, aos vizinhos e demais pessoas se dava de forma meio natural. As ambições tinham outros limites, condizentes com a moderada massificação da propaganda, ainda pobre de recursos.

Aquela realidade conduzia a uma valorização maior da mídia impressa, que mostrava uma variedade imensa de títulos de revistas infantis, juvenis e femininas, que eram esperadas com avidez a cada semana  pelas bancas espalhadas na cidade. Mas meu ponto preferido, embora não fosse o único, era a calçada do cinema São Luiz, onde toda tarde juntavam-se dezenas de jovens para venda, compra e troca de revistas, ao mesmo tempo em que assistiam aos filmes e degustavam as delícias da época vendidas pelos confeiteiros, como drops de cevada e chiclete ping-pong.

Cada revista era uma viagem fascinante nas histórias que periodicamente traziam as editoras. Até porque naquela época começavam a ser usados de forma mais abrangente novos recursos gráficos, como a policromia, que mostrava melhor as impressões coloridas e a impressão off set, que dava melhor qualidade aos impressos do que o sistema anterior.  Além do que importantes revistas começaram a circular naquela década, entre elas a revista VEJA e muitos personagens e histórias surgiam como novidade no Brasil.

A meninada era versátil e como natalenses observávamos com orgulho e bairrismo revistas da Riográfica que recebiam os traços de um desenhista potiguar, Evaldo (Oliveira), que depois foi chargista d’O Jornal de Hoje. Frequentemente encontrávamos revistas com sua assinatura na capa ou no expediente, entre elas Recruta Zero, Fantasma, Flexa Ligeira e  Cavaleiro Negro. Tudo isso misturado com títulos como Tio Patinhas, Pato Donald, Mickey, Zé Carioca, e outras da editora Abril. Os títulos de bang bang e aventura que enchiam os olhos eram mesmo aqueles da EBAL – Editora Brasil América Ltda.: Reis do Far West, Cisco Kid, Roy Roger’s, Tarzan, Zorro e outros.

Na entrada do cinema, que tinha uma bela antessala com quadros de cartazes de filmes, estava lá a recepcionista que barrava qualquer um que não tivesse a idade prevista para a sessão. Ou recebia o ingresso de quem atendia aos requisitos, com aquele impresso inesquecível: CIREDA – Cinemas Reunidos Ltda. Dependendo da fita, as filas eram imensas, como se deu em filmes como Os três desafios de Tarzan, Os dez trabalhos de Hércules, Bem Hur e El Cid, cuja exibição foi anunciada durante semanas. A novidade era o colorido em Cinemascope e com som estereofônico.

Estas lembranças trazem emoções que à época delineavam a vida natalense, naquela reunião espontânea de horas seguidas na calçada do cinema. Cada cinema tinha sua aglomeração pré e pós sessão, mas nunca como no São Luiz. O cine Rex ainda ensaiou por um tempo coisa parecida, nas manhãs de domingo, porém pouco durou. No cine Rio Grande, a conversa era outra, pois nas manhãs de domingo eram exibidos os filmes de arte e as discussões seguiam-se no Cine Clube Tirol.

Mas o tempo foi mudando essa paisagem. O cinema São Luiz deu lugar ao Banco do Brasil; o Rex virou Casas Pernambucanas; o Rio Grande tomou outro rumo, o São Pedro virou loja, e assim todas as salas de cinema foram substituídas pela modernidade dos cinemas em shppings. Ficaram então as lembranças de sonhos e vidas vividas em páginas e telas perdidas no tempo que simplesmente se foi. Foi para algum lugar deste misterioso universo, de onde vez por outra volta em forma de lembrança, saudade, felizes recordações.

 


 

Sina de Mãe

 

--- Walter Medeiros

Algo no ar, na rede, no mundo, está causando em mim a impressão de que neste ano o Dia das Mães vai ser diferente de todos os outros. As postagens, as mensagens, as fotografias postadas nas redes sociais, o movimento nos corredores dos supermercados e nas lojas, tudo parece trazer algo diferente neste Dia das Mães de 2016.

Até eu, que resisto a muita coisa e nunca cheguei a postar fotos ou símbolos em vez da minha foto no facebook, cheguei a pensar em  colocar naquele canto a foto da minha mãe. Mas não encontrei a foto que queria. Vai ficar mesmo só a lembrança daquele rosto, que alguns achavam muito parecido com o meu. Claro que eu é que parece que parecia mesmo com ela.

Mas esse algo, esse que ao qual me refiro foi capaz de me levar a uma reflexão sobre o Dia das Mães, sobre as mães, sobre a maternidade, sobre os filhos, tudo numa linha de tempo que percorri vida afora.

Ah! Minha mãe! Quando eu tinha oito anos e estava para completar nove, estava no auge o sucesso de Coração de Luto, música de Teixeirinha que me fazia chorar copiosa e preocupadamente: “O maior golpe do mundo / Que tive na minha vida / Foi quando com nove anos / Perdi minha mãe querida”. Rondava  e tomava conta de mim um medo de perder minha mãe quando completasse nove anos.

Naquele tempo ela tinha uma vida aflita. O marido bebia muito, conforme ele mesmo disse depois em entrevista na televisão. E brigava, causava vergonha à família – coisa que eu mesmo fiz igual, quiçá pior,  anos depois.

Ela era minha mãe e eu morava com ela, estudando no Grupo Escolar, em Mata Grande, alto sertão de Alagoas. Minha irmã veio para Natal estudar. Meu irmão, Wellington, havia vindo antes, estudar na Escola Industrial de Natal. Ou seja, uma mãe de três filhos, com saudade de dois deles que estavam longe.

Maior que esta saudade talvez fosse a lembrança de quatro outros filhos que morreram e ficaram enterrados em algumas das dezesseis cidades por onde morou nos anos cinquenta do século passado, acompanhando meu pai nas campanhas de saúde pública. Naquele tempo, crianças morriam com frequência assustadora.

Minha mãe era então a minha grande companhia e eu a companhia dela em muitas ocasiões. Viemos para Natal e fomos morar na rua Alberto Maranhão, em casa localizada diante do sítio onde construíram o condomínio Jardim Tirol.

Daquele tempo ainda ressoam em meus ouvidos bela canção da era do rádio, que contava bela história: “Andei por todos os jardins / Procurando uma flor prá te ofertar / Em lugar algum eu encontrei / A flor perfeita prá te dar (...) Ela se chama flor Mamãe / E só nasce no jardim do coração”.

Mais adiante, lá estava minha mãe, que era exímia costureira e fazia os pratos mais deliciosos que comi em minha vida, de avental diante de um fogão de lenha. Não tínhamos fogão a gás, geladeira, televisão. Mas tínhamos o que comer, onde dormir e estudar. E outra música passava, nas ondas do rádio, dizendo: “Mamãe, mamãe, mamãe / Eu me lembro o chinelo na mão / O avental todo sujo de ovo / Se eu pudesse eu queria outra vez, mamãe / Começar tudo, duto de novo.”.

Com o passar do tempo, meu pai deixou de beber álcool. Por 22 anos houve outro clima em nossa casa. Clemilda e Wellington, meus irmãos, formaram-se em Serviço Social e Jornalismo e eu também recebi meu diploma de nível superior. Uma felicidade para aquela família simples e aquela mulher, que tomava a frente de tudo e descobria os caminhos para encaminhar seus filhos pela vida.

Assim são as mães. Como a minha mãe, vejo em cada canto a vida de todas as outras mães, com suas preocupações, com as superações de noites indormidas, com o aperto financeiro que determina o que pode ou não ser feito, mas com o ânimo maior para dar lições de vida e festejar cada vitória, cada conquista, cada felicidade estampada nos rostos dos seus e nos seus próprios rostos.

A minha mãe – Dona Cristina – não está mais entre nós, mas da sua nova vida certamente acompanha tudo que se faz para preservar o seu legado. Pois a sua lembrança em inúmeras ocasiões é que direciona as nossas vidas e sempre procuramos agir conforme seus antigos e sábios conselhos.

Em todos esses anos ouvi inúmeras músicas sobre as mães. Todas me emocionam e em muitas ocasiões me levam ás lágrimas. Com uma delas homenageio minha mãe nesta data. Aquela que descreve: “Mãe, palavra mais doce que o mel / Talvez um pedaço do Céu / Que Deus transformou em mulher”.  

Feliz Dia das Mães!

 


 

 

SETE POEMAS

O amigo poeta Antônio Fernandes convidou-me para participar de uma dinâmica, onde cada participante publica por sete dias uma foto em preto e branco, juntamente com uma poesia de sua autoria, nomeando assim um poeta diferente a cada dia para fazer o mesmo e dar continuidade a esse movimento. Ei o que publiquei:

Amor

--- Walter Medeiros

Aquela sensação,
No fundo do coração,
Que domina todo o corpo,
Como uma fisgada
Violentíssima
Da agulha mais afiada,
Num relance confuso
Entre toque de navalha ou pluma
- é o amor.

---

Anônima

--- Walter Medeiros

Levaram uma lembrança de mim.
Disseram que isso é a vida;
que é só isso a vida.

Lembrança de uma corrida de pensamento
em busca de alguma coisa
de uma corrida de olhos
em busca de algum corpo
corrida de mãos
em busca de um afago.

Levaram uma lembrança de mim
para os lugares mais fáceis de se encontrar:
a rua,
o ônibus,
a praça,
a vida,

Levaram uma lembrança de mim
e a chamaram de saudade

Uma lembrança alegre
mas que chamaram de saudade

Levaram dizendo que qualquer dia
- faz tantos anos ... -
a gente poderia se encontrar
numa dessas partes

Levaram a lembrança
mas deixaram um recado anônimo
Na última página de um livro.

---

Passado

--- Walter Medeiros

Na caminhada distraída
Que fazemos nessa vida
Perdemos o horizonte.
De repente, de saída,
O hoje já virou ontem.

---

Brincadeira

--- Walter Medeiros

Na goiabeira do meu quintal
Uma maluca subia, sem calcinha.
Embaixo, os meninos brincavam
De triângulo, com um ferro,
Riscando pelo chão traços
De prisões e liberdade.

O quintal batido de barro, úmido,
Servia também para nossos peões.
N’outras horas eram as chimbras
- bolas de gude tão belas,
Que ainda hoje são forte lembrança
Daqueles dias da infância.

Na sombra da tarde meu irmão saía
E descia num carro de cocão,
Trazendo latas d’água
Que enchia na fonte da cacimba.
Oh! Que saudade da água
Do pé da Serra da Onça...

---

Pegadas

--- Walter Medeiros

Manhã quente, o povo ferve
Nas calçadas do Alecrim,
Onde piso umas pegadas
Deixadas há tanto tempo,
Nos dias da juventude,
Aos sonhos das madrugadas.

Na passarela da praça,
Crotes e flores resistem,
Para abrigar um pássaro
E uma borboleta amarela
Que parecem guardados
Para me verem passar.

Não tem terrenos baldios,
Tanto estacionamento,
E a Farmácia Bendita
Também se foi com o tempo,
Que fez a Amaro Barreto
Mudar toda sua vida.

---

Farrapos

--- Walter Medeiros

É uma voz engasgada,
Uma palavra que não sai,
Uma folha ressecada,
O vento aonde ale vai,
A poeira na estrada,
A saudade do meu pai,
Uma sombra na calçada,
Guarânia do Paraguai,
Minha mãe abençoada,
Um segundo que se vai,
Uma criança danada
Caindo sem dizer ai,
Ou toda esgoelada
A cada hora que cai,
Uma fruta amarelada
Quase chamando: “chegai!”
A vida da namorada,
Uma feira de mangai,
Uma doce limonada,
Os encantos do bonsai,
As guerras desenfreadas,
Os tempos de Chu En Lai,
Lisboa, Paris Granada,
As imagens de Dubai,
Antigos contos de fadas,
Oh! Cinderela, cantai!
Uma Santa festejada
Pelos milagres orai,
A nação esfarrapada
Que sempre por Deus rogai!

---

Bela vista

--- Walter Medeiros

Do alto do monte, o mar,
Rastros dos navegadores,
Águas desbravadas,
Tamanhas lembranças.

Gaivotas no azul da vista,
Bela vista, pairam sobre o rio,
Pairam sobre o porto, o mar,
Caminho de vidas.

Caminhos de conquistas
Tempos de sonhos, amor,
Sonhos de futuro, liberdade,
Incerteza feliz do dia-a-dia.

Amores por inteiro, saudade,
Bela canção - “Ai Mouraria”,
Voam pelo tempo mundo afora,
Toda hora, toda data, todo dia.

 

 

A Ponte de Igapó (Há cem anos)

 

Natal de cem anos atrás experimentava uma evolução lenta, mas ampliava-se através de certa estruturação proporcionada pelas suas vias de transporte terrestre, fluvial e ferroviário. Sua população de menos de 30 mil habitantes movimentava-se no dia a dia da Ribeira, Cidade Alta e outros poucos bairros. Ali localizavam-se as principais atividades de manufatura, indústria e comércio.

Rostand Medeiros, em trabalho de pesquisa sobre propaganda antiga em Natal registra que há pouco mais de cem anos a cidade tinha uma vida tranquila, onde o povo ainda andava no lombo de animais e havia vários jornais para dar conta de tudo. Inclusive da chegada de navios – a mais importante forma de locomoção para longe da terra potiguar: vapores de cargas e passageiros. Quem ia para o interior, o jeito era o trem, ou em lombo de animais.

Para melhorar o acesso entre Natal e o interior do estado, bem como ligar o lado sul da cidade à zona norte, foi construída a ponte de ferro de Igapó. A obra foi inaugurada em 20 de abril de 1916, e constituía-se de uma via para automóveis e linha férrea. Totalizava 550 metros, com nove vãos de 50 metros e um de 70.

Meu primeiro contato com a ponte de Igapó se deu em 1962, quando, aos nove anos, voltei para Natal no trem que vinha de Arco-Verde, Pernambuco, depois de chegar até lá num caminhão que nos levara de Mata Grande, alto sertão de Alagoas, cidade onde moramos durante seis anos. Tudo era novidade para mim.

Para passar pela ponte de Igapó, o trem gozava de total prioridade. Assim, passamos direto e seguimos pelas Quintas, Guarita, rua Ocidental, Paço da Pátria e estação central da Ribeira. Ali embarcamos num buíque preto que nos levou até a rua Campo Santo, no Alecrim, onde lembro bem da recepção calorosa e amável dos meus avós, Francisco Bezerra e Constância Medeiros. O primeiro agrado da minha irmã foi me dar um poli, que até então eu conhecida como picolé.

Tempos depois fiz a primeira passagem de carro pela ponte de Igapó, quando então entendi o método utilizado para alternar a passagem dos veículos e o trem. Cada margem da ponte tinha um funcionário com bandeiras vermelha e verde, usadas para autorizar a passagem, o mesmo tão utilizado em obras de rodovias quando a passagem fica limitada a uma só via.

Oito anos depois daquela viagem de trem, lá vamos nós para a ponte de Igapó. Natal inteira na rua, seguido a pé para ver o monsenhor Walfredo Gurgel inaugurar a primeira ponte de concreto, que mudou completamente a situação, facilitando o tráfego entre as margens do rio Potengi. Mas a cidade continuava crescendo cada vez mais acentuadamente. E em 1989 lá estávamos novamente na ponte de Igapó, daquela vez para assistir o governador Geraldo Melo entregar a terceira ponte paralela sobre o rio Potengi, a nova ponte de Igapó.

Uma, outra, ou todas aquelas pontes me marcaram tanto, que nas minhas idas e vindas para a casa da minha mãe, no conjunto Panatis e atividades comunitárias ou visitas aos amigos, resolvi criar um jornal para noticiar as coisas da Zona Norte. Nome do periódico mensal: “A Ponte”. 

Muitas histórias importantes e belas foram contadas nas páginas daquele jornal, que circulou por cerca de dois anos, com patrocínio de comerciantes e prestadores de serviços locais, e distribuição gratuita. Até que numa crise de falta de papel jornal a gráfica do Diário de Natal não podia mais executar a impressão. Tivemos de buscar uma alternativa. Os preços eram astronômicos e impraticáveis. Nada mais podia ser feito, e assim “A Ponte” encerrou sua trajetória.

Neste momento em que completa cem anos de inauguração, a ponte de ferro de Igapó, testemunha de todas essas histórias, merece uma atenção especial da sociedade natalense e do poder público. Sabemos da destinação que foi dada à sua ferragem, mas sua estrutura é algo que deveria tornar-se um símbolo mais forte de Natal. É hora, portanto, de incorporar aquele ponto à vocação turística e histórica de Natal.

(Walter Medeiros)

 

 

Natal em muitos tempos

 

Natal através das fotos antigas é fascinante, porque as belas imagens retratadas através do tempo vão compondo uma história de séculos. Aliás, não somente sua história, mas a sua geografia, o seu urbanismo, as mudanças trazidas por cada época.

São paisagens que se completam e formam esta bela cidade através de uma viagem pelos tempos.  A começar pela barra, onde há mais de quatro séculos ergueram a fortaleza dos Reis Magos. Dalí seguiu por vários rumos, pelo rio, pela praia ou pelo areal que atravessou Ribeira, Cidade, Alecrim e Quintas, para rumar à Aldeia Velha (Igapó), Macaíba ou Parnamirim.

A cada traço encontramos os acréscimos da vida natalense, com sua arquitetura, sua evolução e a movimentação do seu povo. Suas eras já foram contadas em prosa e verso, mas certamente ainda há muito a dizer da vida de tantos moradores, primeiro centenas, depois milhares e agora no rumo dos milhões. 

Assim vamos praticando mais uma emocionante experiência de viver Natal. Começando por estas paisagens. Do forte e dos casebres e choupanas na areia; a ladeira da Junqueira Ayres; a curva do Baldo e a vida sem igual do Alecrim.

Diferença

Além disso, podemos ter uma ideia de como viveram nossos antepassados, em tempos tão calmos e de tão poucos recursos, mas que mesmo poucos eram plenamente utilizados e aproveitados. Como a emoção de pular ou ver outros pularem do trampolim de Areia Preta;  o teatro ainda chamado Carlos Gomes; o céu por onde passavam os Zeppelins;  as linhas dos bondes que cruzavam todos os bairros e subiam difíceis ladeiras.

Sem esse recurso ficava difícil imaginar a praça Gentil Ferreira antes do Mercado do Alecrim e do bar Quitandinha; o movimento do Paço da Pátria, que atraia gente da cidade inteira; as marinetes – lotações – transitando com seus passageiros pelas avenidas movimentadas por pouquíssimos automóveis; a praça Padre João Maria sem o edifício 21 de Março e nenhum outro entre ela e o Parque das Dunas.

As fotos nos trazem também monumentos e prédios que foram destruídos através do tempo, como a Galeria de Artes, na praça André de Albuquerque. Trazem mais:  o prédio onde funcionou o Liceu Industrial de Natal – primeira fase da história do atual IFRN; o Natal Clube e uma faixa de campanha do candidato a governador Dix-Sept Rosado; a Redinha pela lente de Jaeci; e vistas aéreas da primeira metade do século XX.

Em meio a tantas alterações, podemos ver o antigo Aeroporto Augusto Severo do século passado; a antiga ponte da Praça Augusto Severo; o Grande Ponto do tempo do Gordinni e do Karman ghia; a Escola Industrial de Natal; a praça da Jangada, no tempo em que ainda tinha a jangada; a antiga sede do ABC Futebol Clube; o Alecrim e tantas outras imagens belas e emocionantes da história de Natal.

 

 


 
 

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